VEJA pode ter canal de notícias em televisão aberta

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A Revista VEJA deve ser a porta de retorno do Grupo Abril para um canal de televisão aberta, mais de uma década depois do encerramento da MTV Brasil, devolvida para a antiga VIACOM | CBS no segundo semestre de 2013, como contam informações históricas. 

O novo projeto é um canal de notícias, mas passa longe do antigo endereço da emissora jovem. Agora, esse espaço é ocupado pela Kalunga, que tem aos seus cuidados uma emissora de esportes, com pouco mais de um ano no ar.

Jornalismo é poder

As empresas de mídia tem entendido ao longo desta década que jornalismo é poder. Criar um canal de notícias vai muito além de oferecer informações ao público. Versa muito sobre influência, antecipar informações e participar, assim, do chamado jogo do poder de uma outra maneira.

Desde 2020, pelo menos cinco operações nessa linha estrearam no mercado brasileiro. A maior delas nesse recorte, certamente, é a CNN Brasil, administrada por Rubens Menin, dono da construtora MRV por meio da Novus Media.

Pode operar por onde?

A ideia da empresa é ocupar um dos canais secundários da RBTV, emissora que teve um dos seus espaços arrendados pela revista para a cobertura da apuração eleitoral com a marca da revista. Para saber mais sobre o resultado final das Eleições 2026, clique aqui.

O histórico da publicação com o jornalismo é longo, a revista semanal foi criada em  1968, pelo jornalista Victor Civita (1907 – 1990). Atualmente, circula às quartas-feiras em sua versão impressa e tem a redação comandada por Maurício Lima, que substituiu André Petry há sete anos.

As negociações estão avançadas, mas não se sabe onde o sinal entrará. A RBTV tem os canais 10.1 (TV Templo), 12.1 (Rede Brasil) e 14.1 (RBTV).

Movimento para não perder analistas?

A possível operação de televisão aberta também levanta uma questão sobre a circulação de profissionais no mercado. Canais de notícias têm recrutado jornalistas de revistas, jornais e portais para ocupar funções de analistas, comentaristas e apresentadores, em uma disputa por nomes com experiência e especialização.

Clarissa Oliveira é um exemplo desse movimento. Antes de integrar a CNN Brasil, em agosto de 2023, ela atuava como colunista de política e apresentadora na VEJA. Após três anos na emissora, deixou o canal em outubro de 2026. Sua trajetória ilustra a circulação de profissionais entre veículos impressos, digitais e televisivos.

A Abril também tem uma estrutura própria de vídeo. Marcela Rahal apresenta o “VEJA em Foco”, telejornal da VEJA+TV que reúne notícias, entrevistas e análises. A experiência oferece à empresa uma base de profissionais e formatos que poderia ser aproveitada em uma eventual operação de televisão aberta.

A definição dos demais postos de apresentação, análise e reportagem para um possível canal permanente ainda não foi anunciada. Tampouco há confirmação de que todos os programas atuais da VEJA+TV seriam transferidos para a televisão aberta. A negociação, embora avançada segundo a imprensa especializada, continua sendo uma etapa anterior à definição de uma grade definitiva.

A possível chegada da VEJA à TV aberta representa uma oportunidade para ampliar o alcance da marca e colocar seu jornalismo diante de um público que não depende de plataformas conectadas. O desafio será transformar uma presença já testada em coberturas especiais em uma operação diária sustentável, com identidade editorial e distribuição bem definidas.

>> Com informações do jornalista Gabriel de Oliveira, na coluna Canal D, do jornal O Dia


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