“Fala Brasil” passa por crise na RECORD

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O telejornal matinal “Fala Brasil” vive um momento delicado em audiência, que não faz sombra à melhor fase do informativo, quando enfrentava o programa “Mais Você” apresentado por Ana Maria Braga na Globo. 

A atração acumula entre janeiro e junho 2,85 pontos de média geral, apontam dados consolidados de audiência da Grande São Paulo. O formato atualmente tem o comando de Paloma Poeta e Luiz Fara Monteiro, mas aponta sinais evidentes de desgaste há tempos.

Houve afastamento da identidade editorial

A maior referência editorial do programa sempre foi o “Bom Dia Brasil”, inclusive na maneira de construir o espelho do formato. O telejornal teve duas fases auspiciosas de público, quando era ancorado por Luciana Liviero e Marcos Hummel (2006 – 2009) e em seguida por Carla Cecato e Roberta Piza (2009 – 2019).

Recentemente, houve até uma tentativa disso, com a chegada de Mariana Godoy, que permaneceu quatro anos na atração, dividindo a apresentação com Sérgio Ricardo Soares Aguiar (2021 – 2022) e Eduardo Vicente Ribeiro (2022 – 2025), hoje Ribeiro faz par com Godoy no horário nobre da emissora.

A estabilidade observada até o fim da década passada foi cedendo espaço para incertezas de ancoragem e mudanças no formato. Nessa altura, o jornal insere mais material do noticiário policial e curioso para enfrentar o “Primeiro Impacto”, liderado pelo apresentador Marcos Paulo Ribeiro de Morais.

Falta estratégia na emissora

Um dos pontos altos das últimas duas décadas era justamente quando o informativo não concorria com o telejornal global. Parecer com ele tudo bem, isso é proposital. O problema começa no momento em que os dois telejornais similares estão no ar de maneira simultânea. A situação acontece, diariamente, por cinquenta minutos.

Não que o informativo seja um grande concorrente atualmente, mas quanto menos tempo houver o embate entre Monteiro e Poeta x Araújo, as coisas parecerão ser um tanto melhores. Entre um produto consolidado e outro sem identidade definida, inconsistente editorialmente, o público tende a permanecer onde está.

RECORD procura desenho ideal

As emissoras desafiantes de mercado ficam com as migalhas na faixa matinal. A situação já foi tema nesse espaço, o texto pode ser visto ao clicar aqui.

O público está acostumado a ver o “Bom Dia Praça” e “Bom Dia Brasil”, a primeira grande quebra acontece com a entrada do “Encontro”, que destoa do que é apresentado antes dele. É ali que a RECORD devia colocar o seu telejornal de bancada, se opondo ao entretenimento global e do jornalismo popular da concorrente direta.

Um ajuste mínimo de programação pode fazer com que o informativo volte a ter relevância editorial. O mais profundo dos problemas, nesse caso, nem é o horário. A paginação e o espelho do jornal deviam focar mais em política e economia, enquanto que as pautas de segurança pública deviam aparecer na programação local. Além disso, poderia enfrentar Araújo e o “Bom Dia Brasil” por apenas trinta minutos, que podem ser usados com intervalos comerciais e as matérias com menor potencial de atenção.

Ao oferecer uma contraprogramação o formato poderia se beneficiar. As pautas mais leves, flertando com o entretenimento, poderiam ser encaixadas na transição para o “Hoje Em Dia”, como era feito na fase áurea do jornal, que teve treze anos de duração.

>> Material construído com base nos dados consolidados e naquilo que já aconteceu no horário.


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