A Chapecoense é mais um atrativo para os canais ESPN na cobertura da Série B do próximo ano. O rebaixamento do clube catarinense foi confirmado na noite desta terça-feira (03), após a derrota por 2 a 1 para o Mirassol, na Arena Condá. A equipe está de volta à segunda divisão e precisará reorganizar seu projeto esportivo para 2027.
Agora, restam três vagas indigestas e que ninguém quer ocupar para o próximo ciclo da Série B, ainda que os concorrentes tenham calendários diferentes para evitar o descenso. No ano passado, a Chapecoense conseguiu o acesso em condições mais favoráveis, quando o regulamento antigo ainda estava em vigor. A equipe terminou na terceira colocação e conquistou uma vaga direta na elite.
O treinador é o menos culpado
O trabalho de Rafael Lacerda está longe de ser o principal problema da Chapecoense neste momento. Há que se fazer reavaliações, evidentemente, mas, diante de uma realidade diferente, é necessário ponderar a possibilidade de manutenção do profissional para o próximo ano. O gaúcho tem potencial para ser um vetor dessa reconstrução, embora precise passar por uma avaliação dos resultados obtidos desde sua chegada, em maio.
A instituição voltou a apresentar características de um clube ioiô nesta década. O grande problema estrutural está na dificuldade de sustentar projetos esportivos, especialmente depois da reconstrução iniciada após a tragédia de 2016. A rotatividade de profissionais passou a ser uma marca da Chapecoense. Um levantamento publicado pelo GE em 2019 apontava média de três treinadores por temporada desde o acidente aéreo na Colômbia. Ao longo dos anos, houve trabalhos mais duradouros, como os de Gilson Kleina, Umberto Louzer e Gilmar Dal Pozzo, mas também uma sucessão de passagens curtas e mudanças de comando.
Em 2026, a situação voltou a se repetir. Gilmar Dal Pozzo deixou o cargo em abril, Fábio Matias teve uma passagem muito curta e Rafael Lacerda assumiu em maio, com contrato até o fim da temporada. Durante a paralisação do calendário, a Chapecoense ainda realizou 29 movimentações no elenco, com 11 contratações, 15 saídas e três empréstimos. A equipe também tinha a menor folha salarial da Série A. É muita instabilidade para um clube que precisava consolidar seu retorno à elite.
Vai ser mais difícil subir
A partir de 2026, apenas os dois primeiros colocados da Série B conquistam o acesso direto. Entre o terceiro e o sexto lugares, acontece uma disputa de mata-mata, em confrontos de ida e volta, para definir quem fica com as outras duas vagas. Por isso, a manutenção de um planejamento esportivo consistente será fundamental para a Chapecoense, especialmente se o formato for mantido em 2027.
O desenho da próxima temporada ainda não está definido. Mas a obrigação da Chapecoense é ser protagonista do futebol estadual, ao lado de equipes como o Criciúma. A reconstrução não pode se limitar à tentativa de voltar imediatamente à Série A. É necessário recuperar a competitividade e estabelecer uma identidade que resista às oscilações de cada temporada.
Nesse cenário, outros clubes tradicionais de Santa Catarina também estão longe de alcançar protagonismo nacional. O Avaí luta para evitar o rebaixamento à Série C, enquanto o Figueirense terminou a temporada na terceira divisão. O Joinville, conhecido como Coelho, disputou a Série D em 2026, mas segue distante das principais divisões do futebol brasileiro.
A Chapecoense precisa aproveitar o rebaixamento para rever suas prioridades. Mais do que trocar jogadores ou escolher um novo treinador, o clube precisa encontrar estabilidade administrativa, financeira e esportiva. Sem isso, o acesso pode até acontecer novamente, mas a permanência na elite continuará sendo um desafio.
>> Material construído com dados consolidados e informações do site GE Globo


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