A Globo sempre foi a maior referência de dramaturgia no mercado nacional, vez ou outra se arvorava em transformar seus horários em um enorme tubo de ensaio. Foi isso que aconteceu com “Vila Madalena” (1999), resgatada recentemente pelo streaming da companhia fluminense.
O enredo teve catorze aberturas diferentes, com músicas diversas e sempre acompanhando o ritmo frenético de edição dessa obra desenvolvida por Walter Negrão, em sua última incursão na faixa das sete. Dez anos antes, ele foi responsável por “Top Model”, um dos maiores fenômenos da dramaturgia oitentista.
Protagonista era desejado
A emissora entregou para o ator Edson Celulari o protagonismo do folhetim, tempos depois dele ter terminado “Torre de Babel”, onde fazia um bom vivant. Aqui, ele encarnou um tipo caminhoneiro Solano que foi cooptado por um esquema criminoso sem saber e acaba condenado.
Celulari divide cena com Maitê Proença, nome também vindo da então novela das oito. Dessa vez, eles aparecem como um casal. Sem emprego, ele divide com a amada que conseguiu um bico como motorista de caminhão. Por outro lado, também feliz, Eugênia conta que espera um filho dele.
Outra feliz coincidência era um novo reencontro de Cristiana Oliveira e Marcos Winter, quase uma década depois da versão original de “Pantanal” (1990), produzida pela Manchete, que nessa altura já era apenas saudade para os amantes de televisão.
Os catorze dias… digo, os catorze temas da novela
A trama das sete inovou e não ficou presa a uma única música como identidade. Pela abertura, passaram “Rebola Na Boa”, “Tô Saindo”, “Bem Querer”, “Certas Coisas”, “Sossego”, “Do Avesso”, “Eu Quero Ser Feliz”, “Moto Boy”, “Paciência”, “Enjoado Jungle”, “LS Jack”, “Resto de Mim”, “Aquilo” e “Fim dos Tempos”.
O movimento de rotatividade marcou mais a produção do que sua história, de fato. Por curiosidade, a música que mais fica associada ao folhetim é justamente a primeira citada, entoada originalmente pelo Mr Jam. As demais canções fizeram sucesso nas paradas, mas não ficaram famosas por acompanhar os nomes do elenco.
Na época, as emissoras de rádio se baseavam naquilo que tocava nas novelas para formar suas programações. Hoje, isso não mais acontece, mesmo com a expressividade cultural de novelas.


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