O novo programa matinal desenhado pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) ainda não tem nome oficializado, foi batizado provisoriamente de “Simbora”, nem elenco definido. Mas, uma missão está evidente. A aposta do canal precisa, pelo menos, ultrapassar a iniciativa anterior.
A emissora produziu entre março e dezembro de 2024, o “Chega Mais”, com 39 semanas no ar e 195 edições. Para que se seja considerado um projeto viável, a nova atração precisa pelo menos chegar nessa marca. O canal pretende tirar espaço do “Primeiro Impacto”, tanto com essa atração, quanto com uma nova faixa de novelas.
Se isso der certo…
O novo desenho coloca, pelo menos até agora, uma programação diametralmente oposta a atual. Hoje, são horas de jornalismo popular, em uma maratona cansativa para que faz e para quem se dispõe a assistir. A trinca “SBT Notícias”, “Se Liga Brasil” e “Primeiro Impacto” ocupa mais de dez horas, por dia, na grade de segunda a sexta-feira.
A ideia de quebrar o jornalismo, entrar com algo de entretenimento e logo depois uma novela pode funcionar justamente por ser o que se chama de “contra programação”. Entretanto, isso só vai funcionar efetivamente se for um projeto a longo prazo. E não algo foi na base do toque de caixa, simplesmente para emular o que é oferecido pela concorrente.
Cabe recordar que antes programas como “Olha Você” (2009) e “Vem Pra Cá” (2021 – 2022), tentaram fazer esse mesmo tipo de concorrência. Mas, a emissora naufragou. O que será feito de diferente, para que esse novo projeto tenha mais solidez em relação aos antecessores?
No fim, deve mesmo brigar pelo bronze
A aposta em diversificar a grade é válida. Inclusive, pode fazer o “Hoje Em Dia” sair da inércia que vive há mais de uma década. Mas, considerar que esse investimento vai fazer o canal das Abravanel brigar pela prata é como crer na existência de Papai Noel, Coelinho da Páscoa, ou outras criaturas míticas.
O novo formato deve brigar com “Bora Brasil” e “Jogo Aberto”, já a faixa de novelas pode conquistar uma plateia que esteja farta dos produtos oferecidos pelas demais desafiantes de mercado. Mas, para que um espaço de novelas funcione é necessária alguma insistência.
Assim como o desenho de revista eletrônica. Será o quarto investimento do canal em quase duas décadas. Para se ter uma ideia, a investida mais recente, teve média geral de 2,16 pontos de média.
Como dado comparativo, cabe colocar a média geral do “Hoje Em Dia” nesse mesmo ano. Entre janeiro e dezembro, a revista eletrônica da RECORD conquistou 3,88 pontos em 262 edições exibidas.
A desvantagem é brutal
O programa que completava dezenove anos de vida abria 79,63% de vantagem em relação ao concorrente. Evidentemente, o desempenho da revista produzida na Barra Funda caiu em aproximadamente dois anos. Mas, é ingenuidade pensar que uma quarta investida nesse tipo de formato resulte em uma briga direta pela vice liderança.
Além da expertise de mais de duas décadas, a rede da Anhanguera precisaria de capilaridade e pautas que sejam pertinentes. O formato de Regina Volpato, Michelle Barros e Paulo Mathias, chegou a mostrar “dicas de internet”, como no dia em que uma influenciadora mostrou que a tampa de uma garrafa térmica, em último recurso, pode funcionar como caneca. A apresentadora ficou constrangida, porque foi mostrado como algo inovador. Na prática, esse expediente é adotado desde que o mundo é mundo.
>> As informações de audiência consolidada aqui presentes são de janeiro a dezembro de 2024 e servem como baliza para a nova investida do SBT, ou pelo menos deveria.


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