A Globo recorre a um expediente de contenção de danos: pouco menos de dois anos depois de “Da Cor do Pecado”, sua última novela como autor titular, João Emanuel Carneiro foi chamado de volta à faixa das sete. A escalação para “Cobras & Lagartos” mantém o escritor no horário e adia, na prática, uma eventual promoção para uma faixa de maior prestígio.
A emissora pretende recuperar o desempenho de “Da Cor do Pecado” (2004), depois de uma sequência de novelas que não conseguiu repetir o sucesso da antecessora. “Começar de Novo” (2004), “A Lua Me Disse” (2005) e a então em exibição “Bang Bang” ficaram abaixo daquele patamar de audiência e contribuíram para o enfraquecimento da faixa.
Record cresceu com novelas “normais”
Quem se aproveita desse momento de fragilidade é a Rede Record, que, nesses dois anos, entregou produções tradicionais como “A Escrava Isaura” (2004), “Essas Mulheres” (2005) e “Prova de Amor” (2005).
O canal paulista prepara uma nova releitura, dessa vez de “Bicho do Mato”, com texto de Bosco Brasil e Cristianne Fridman. A ideia é aproveitar a lacuna aberta pela líder de audiência e oferecer ao público mais uma opção de dramaturgia nacional.
Globo corrige a rota do horário de comédias
Após dois anos apostando em propostas que se afastaram do padrão mais habitual da faixa, a emissora encomenda uma produção mais tradicional, alinhada a uma fórmula de folhetim que a própria rede desenvolveu e consolidou ao longo de décadas.
O canal ainda não definiu publicamente quem deverá formar o casal protagonista, tampouco quem serão seus antagonistas. A intenção é voltar a oferecer uma trama mais folhetinesca, na tentativa de recuperar o público que escapou para o canal vizinho. Vale lembrar que, mesmo depois de uma sequência problemática, a estrutura de produção da primeira colocada não deve sofrer grandes avarias.
Aqui está uma grande diferença
A Globo tem uma estrutura de produção e uma força comercial que lhe permitem absorver resultados abaixo do esperado por mais tempo, mesmo com dificuldades em sua faixa das sete. Um desacerto dessa dimensão poderia ser muito mais grave na dramaturgia de qualquer concorrente com menor capacidade de investimento. Inclusive, é um cenário delicado para o SBT, caso os problemas registrados recentemente se repitam.
Com pouco mais de dois anos de retomada dos investimentos em dramaturgia, a vice-líder parece ter fôlego para sustentar duas novelas simultaneamente. Pelo menos por enquanto, a Record demonstra capacidade para manter essa estrutura. Além de preparar a nova versão de “Bicho do Mato”, a emissora já lançou “Cidadão Brasileiro”, de Lauro César Muniz, em 13 de março, inaugurando seu segundo horário de dramaturgia nacional.
>> Texto elaborado com informações da imprensa especializada disponíveis até 3 de abril de 2006, uma segunda-feira.


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