A Globo comete um erro dos mais primários na concepção de sua próxima novela das seis, o desenvolvimento de “Lá Na Minha Terra” parece depender de conceitos equivocados no que diz respeito a construção de sociedade.
O elenco envolvido, como se sabe, não tem responsabilidade nessa abordagem rasa e problemática. A novela coloca duas mulheres em polos opostos, uma precisa lidar com o abandono do lar pelo marido e criou, no sertão, cinco filhos.
A outra, vilã, aparece casada com esse homem, que deixou a família em Lavra Seca. O tipo é descrito como classista, preconceituoso e uma somatória de características ruins. Ela descobre, inclusive, sobre a outra família do marido. E não se sabe como vai ser sua reação, se ela explode ou guarda isso como trunfo.
Rivalidade feminina e fotografia equivocada
A novela tem problemas de concepção e desenvolvimento. Isso é flagrante, pode ser constatado a partir da sinopse do enredo. Seja pela fotografia utilizada, que é mais “suja” do que de outros enredos, ou mesmo na ideia de que Rosenda (Dira Paes) será rival da vilã Ismália (Camila Morgado).
Os conflitos são base de qualquer novela, mas a premissa dessa história parece um tanto batida. A briga central das personagens parece ser sobre o marido que abandonou uma e casou com outra. Depois, Rosenda encontra o amor.
As personagens podem ser maiores do que isso. Mas, esse problema de retratar temas importantes e uma região inteira são recorrentes na obra de Teixeira. As críticas a “Mar de Sertão” (2022) e “No Rancho Fundo” (2024) são reinteradas e se sustentam dentro do universo de dramaturgia.
A trama é versada em algo que socialmente está completamente superado. Mulheres não precisam de pares românticos para serem alguém na vida. Tampouco na dramaturgia, onde as ideias devem estar sempre em ebulição. A primeira fase, por exemplo, se passa na década passada. Entretanto, a construção de fotografia leva a trama como se ela fosse antiquíssima.
Além disso, a história central é potencialmente frágil. Como a saga de uma protagonista que anseia encontrar o marido desaparecido, mas que enganou toda uma família, vai se sustentar por seis, sete ou oito meses, sem cair em um cadafalso, ou andar em círculos, como quase sempre ocorre nessas novelas?
Vai sustentar o rajadão?
A emissora está, de maneira indireta, contratando um problema para o futuro. O enredo estreia em novembro, substituindo “A Nobreza do Amor” e deve desconstruir todo o trabalho feito pela trama anterior. O histórico de Mário Teixeira nessa faixa tem arquétipos minimamente problemáticos.
O canal tem como ideia manter os números do horário. Com desenvolvimento, isso pode acontecer. Entretanto, a premissa e tudo aquilo que aparece sobre a trama é desanimador. Desanimador para quem ama novela, trabalha com isso ainda que de maneira indireta e se coloca como um agente de avaliação.
Novamente, o elenco escolhido pela emissora não tem qualquer responsabilidade nos rumos da novela. A trama, entretanto, aparenta ser muito rasa e rasteira. Tudo isso é demonstrado pelas informações publicadas até o momento em que esse texto é editado e publicado.


Deixe um comentário