“SBT Cidades” recupera público no horário

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O telejornal popular “SBT Cidades” registra audiência superior à de seu antecessor, o “Aqui Agora”, nas onze primeiras semanas de trajetória. O resultado ocorre apesar da turbulência de bastidores que culminou no fim da parceria comercial com a BocaTV e, posteriormente, na saída de Rodrigo Bocardi do SBT.

Atualmente comandada por Érica Reis e Marcelo Casagrande, a atração acumula 2,93 pontos de média na Grande São Paulo. Segundo o levantamento consolidado realizado pelo NTVB, o desempenho representa um crescimento de 20,57% em relação ao produto anterior, no recorte adotado pela análise. A média também coloca o jornalístico em condições de disputar público com o “Brasil Urgente”, da Band, embora a comparação direta deva considerar os horários coincidentes entre as duas atrações.

Teoricamente, esse programa ajudaria o “SBT Brasil”

A atração foi concebida para formar uma dobradinha com o telejornal de bancada da emissora, conforme a própria organização da grade. Na prática, porém, o ganho de audiência do “SBT Cidades” não resolve automaticamente as dificuldades do “SBT Brasil”, que precisa reter o público recebido do programa anterior.

O SBT apresenta uma construção de grade pouco fluida. Uma novela mexicana ocupa o espaço entre o “Fofocalizando” e o jornalístico, interrompendo a sequência de atrações ao vivo antes da chegada do principal telejornal da rede. Assim, a programação combina entretenimento, dramaturgia e jornalismo sem aproveitar plenamente a continuidade entre os formatos.

O “SBT Brasil”, comandado por Luiz Gonzaga Cesar Filho, enfrenta dificuldades de audiência desde a mudança dele para o canal. A chegada dele foi há pouco mais de dois anos, quando deixou o comando do “Hoje Em Dia”, da RECORD. Mas, aqui a questão não está apenas no desempenho isolado do noticiário, mas também na capacidade da emissora de construir uma sequência que mantenha o espectador ligado à programação.

Com tudo isso, a novela devia mudar de horário

A emissora precisa rever a organização da faixa vespertina. Falta uma construção mais clara de público, identidade e continuidade entre os programas. Atualmente, a reprise de “O Que a Vida Me Roubou” aparece no fim da tarde, logo depois do “Fofocalizando” e antes do “SBT Cidades”.

Uma alternativa seria deslocar a novela para uma faixa de confronto com a reprise da RECORD e reorganizar a programação ao vivo. Dessa maneira, o “Fofocalizando” poderia entregar diretamente ao “SBT Cidades”, criando uma transição mais natural entre o entretenimento e o jornalismo. A proposta exigiria ajustes nos horários das demais atrações, mas permitiria testar uma sequência mais coerente para a faixa.

A questão não é simplesmente retirar uma novela do caminho. É encontrar o melhor lugar para cada produto, considerando a concorrência e a capacidade de cada formato de conduzir o público até a atração seguinte.

Novela x novela, viu, dona Daniela?

Nessa proposta, uma novela mexicana passaria a enfrentar diretamente a reprise exibida pela RECORD. O SBT já ocupou a faixa com produções como “Meu Caminho É Te Amar” e “Contigo Sim”, que não conseguiram superar a concorrente em audiência.

Ainda assim, o confronto poderia fazer mais sentido dentro da arquitetura da programação. Uma reprise nacional diante de uma produção estrangeira, ou uma novela mexicana bem posicionada contra a concorrente, permitiria à emissora testar alternativas sem interromper a sequência de conteúdos ao vivo antes do jornalismo.

A mudança não garantiria uma vitória de audiência, mas poderia tornar a grade mais lógica e competitiva. O SBT tem um problema recorrente de continuidade na faixa vespertina, e esse é um ponto que a direção precisa enfrentar se quiser fortalecer a relação do público com a programação.


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