Relembre as piores vilãs da RECORD

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A teledramaturgia da RECORD produziu uma sequência de novelas marcadas por vilãs que roubaram a cena. Neste feriado, o NTVB faz uma viagem pela história da emissora e relembra cinco personagens que ajudaram a dar identidade a essas produções, defendidas por nomes consagrados da atuação nacional.

O recorte deste levantamento começa em 18 de outubro de 2004, com a estreia de uma nova versão de “A Escrava Isaura”, e termina em 20 de março de 2015, data do último capítulo de “Vitória”. São pouco mais de dez anos de dramaturgia, às vésperas da estreia de “Os Dez Mandamentos”, que inaugurou uma nova etapa na produção de novelas da emissora.

Alguém vai ficar de fora

É impossível reunir todas as vilãs marcantes desse período em uma única lista. Por isso, algumas personagens que conquistaram espaço na memória do público inevitavelmente ficarão de fora. Esta seleção não pretende encerrar a discussão, mas revisitar cinco figuras que merecem ser lembradas.

A ideia é ir além dos nomes mais conhecidos e explicar, com algum contexto, o que tornou cada uma dessas mulheres tão perigosas. Afinal, uma grande vilã não se define apenas pela quantidade de maldades que comete, mas também pela maneira como interfere na vida dos outros e movimenta a história.

Valquíria Pereira (Renata Dominguez — “Amor e Intrigas”, 2007–2008)

Valquíria era daquelas personagens capazes de despertar a antipatia do público com facilidade. Ambiciosa e movida pela ganância, ela provocou a própria tragédia familiar ao dar um golpe na confecção da mãe, Dilma (Ângela Leal), vendendo as máquinas e fugindo com o dinheiro para o Rio de Janeiro. O choque contribuiu para a morte da matriarca, que sofreu um infarto.

Na capital fluminense, Valquíria conhece Petrônio (Heitor Martinez), com quem passa a dividir a vida e a autoria de diversos crimes. A situação se complica quando a irmã Alice (Vanessa Gerbelli) a encontra, determinada a fazê-la pagar pelo que fez. Em vez de demonstrar arrependimento, Valquíria passa a mirar Felipe (Luciano Szafir), justamente o homem por quem Alice se apaixona.

Além de aplicar golpes, a vilã declara abertamente seu desprezo pela pobreza. Ela chega a ridicularizar Jacira (Gorete Milagres), uma das poucas pessoas que realmente gostam dela. Valquíria transforma a ambição em uma espécie de código de conduta: para conseguir o que deseja, não há limites morais que não esteja disposta a ultrapassar. Sua trajetória termina de forma violenta, em uma sequência que encerra a escalada de crimes da personagem.

Priscila Schiller (Juliana Silveira — “Vitória”, 2014–2015)

Dona de uma escola que leva o nome da família, Priscila Schiller parece, à primeira vista, uma mulher doce e inofensiva. Por trás dessa fachada, porém, esconde uma das personagens mais extremistas da teledramaturgia da RECORD: ela lidera uma célula neonazista ao lado do namorado Paulo Schneider (Marcos Pitombo), disseminando ódio contra pessoas negras, nordestinos e outros grupos sociais.

A perversidade de Priscila não se limita à militância neonazista. Em determinado momento da trama, ela envenena a própria mãe, Valéria Schiller (Patrícia Travassos), para tentar assumir o controle da escola e impor suas ideias a uma nova geração de alunos. O assassinato evidencia até onde a personagem está disposta a ir para preservar seu projeto de poder.

No último capítulo, Priscila sequestra o filho de Artur (Bruno Ferrari) e Diana (Thaís Melchior) e tenta fugir. A vilã, entretanto, é atingida por um tiro na perna disparado pela delegada Sabrina e acaba presa. Seu desfecho não envolve a morte, mas a interrupção de seus planos e a possibilidade de continuar tentando disseminar sua ideologia mesmo atrás das grades.

Lili Sampaio (Ana Beatriz Nogueira — “Bicho do Mato”, 2006–2007)

Lili Sampaio foi uma das grandes surpresas de “Bicho do Mato”, novela escrita por Cristianne Fridman e Bosco Brasil. Jornalista, ela parecia empenhada em denunciar os crimes de Ramalho (Jonas Bloch), transformando seu programa em um espaço para expor as irregularidades do vilão. Essa aparência de aliada da justiça tornou sua trajetória ainda mais surpreendente.

A trama reservou para a reta final uma reviravolta decisiva: a jornalista foi revelada como responsável pela morte de Ramalho, e a história expôs também o envolvimento criminoso de sua irmã Ruth (Miriam Freeland) e do pai das duas. A personagem que parecia combater o antagonista escondia uma ligação muito mais sombria com os acontecimentos.

No desfecho, acuadas e tentando escapar da prisão, Lili e Ruth decidem se jogar de um precipício. A decisão encerra de forma trágica a trajetória das irmãs e reforça a força da reviravolta construída em torno da jornalista.

Doroteia Junqueira de Albuquerque (Esther Góes — “Amor e Intrigas”, 2007–2008)

Doroteia é o exemplo de uma mãe cuja proteção se transforma em instrumento de controle. À frente da Junqueira de Albuquerque, ela administra os negócios da família com mãos de ferro e acredita saber o que é melhor para os filhos, Felipe (Luciano Szafir) e Débora (Adriana Garambone). Na prática, sua preocupação com a família frequentemente serve de justificativa para a manipulação e a arrogância.

Sofisticada e autoritária, Doroteia trata a filha com indiferença e não vê problemas em menosprezar quem considera inferior. Ela também acredita que Valquíria (Renata Dominguez) seria a parceira ideal para Felipe, o que aumenta sua resistência ao relacionamento do herdeiro com Alice (Vanessa Gerbelli).

A força da personagem está justamente na maneira como exerce seu poder. Doroteia não precisa recorrer o tempo todo à violência física: ela usa a influência financeira, a chantagem emocional e a autoridade familiar para tentar controlar a vida de todos ao redor. É uma vilã cuja crueldade nasce da convicção de que as pessoas são peças de um tabuleiro que só ela tem o direito de organizar.

“Amor e Intrigas” marcou a estreia de Gisele Joras como autora titular na dramaturgia da RECORD. A novela apresentou diferentes formas de antagonismo, mas Doroteia se destacou por representar uma ameaça que não dependia apenas de golpes ou crimes espetaculares: seu poder também estava dentro de casa.

Vilma dos Santos Oliveira (Lucinha Lins — “Chamas da Vida”, 2008–2009)

Na nossa seleção, Vilma talvez seja a vilã que leva a obsessão pelo poder às últimas consequências. Interpretada por Lucinha Lins, a empresária controla a família como se todos fossem peões de um jogo particular. Seu objetivo é ampliar o próprio domínio sobre a fábrica de sorvetes Gelado Gostoso (GG), mesmo que isso custe a felicidade e a segurança dos filhos.

Vilma manipula Tomás (Bruno Ferrari), que passa a reproduzir parte da crueldade da mãe, e cultiva uma relação perturbadora com o fogo. Ao longo da novela, os incêndios se tornam uma marca de sua escalada criminosa. Seu passado também esconde um segredo decisivo: Miguel (Floriano Peixoto), antigo amante da vilã e pai biológico de Guga (Thiago de Los Reyes), confessa ter matado acidentalmente João, o marido dela, após ser surpreendido com Vilma. Ela ajudou a encobrir o ocorrido.

A ficha corrida da empresária é extensa, e seus conflitos com praticamente todos os núcleos da história mostram o alcance de sua manipulação. A situação se complica quando um incendiário misterioso começa a cometer crimes usando a marca da fênix, em uma tentativa de incriminá-la e acertar contas com o passado.

Vilma acaba presa, mas o cárcere não representa sua segurança. Depois de três meses, ela recebe um ursinho de pelúcia que esconde um telefone. Do outro lado da ligação, o verdadeiro incendiário, Léo (Rafael Queiroga), revela sua identidade e sua motivação. Dentro do presente há uma bomba, que explode e mata a empresária. É um encerramento à altura de uma personagem que transformou o fogo em instrumento de poder e destruição.

Vilãs que ficaram na memória

De Valquíria a Vilma, passando por Priscila, Lili e Doroteia, essas personagens mostram que uma boa antagonista pode assumir formas muito diferentes. A ambição, o autoritarismo, o extremismo e a capacidade de esconder intenções por trás de uma imagem respeitável são caminhos distintos para produzir conflitos que marcam uma novela.

A lista é apenas um recorte de uma fase importante da dramaturgia da RECORD. Outras vilãs também merecem ser lembradas, e essa é justamente a graça da viagem: cada novela pode guardar uma personagem capaz de despertar indignação, fascínio e discussão muitos anos depois de seu último capítulo.

 


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