“Sessão Da Tarde” não sai do lugar

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O mês de setembro parece consolidar uma tendência percebida desde o começo do ano, pelo menos no que diz respeito ao desempenho consolidado de audiência em “Sessão Da Tarde”. A atração teve apenas 9,27 pontos de média, sem grandes movimentações em sua performance. 

A emissora consegue, ainda assim, se manter na liderança isolada e com o dobro do rendimento da segunda colocada. O formato se sustenta, mesmo fazendo um efeito sanfona entre as novelas.

E se a concorrência fosse relevante, hein?

A Globo concentra a maior parte do público no horário vespertino, mesmo aplicando em si mesma a lei do esforço mínimo. Quem trabalha, efetivamente é o jornalismo. São aproximadamente três horas de conteúdo, passando por uma atração geral local, uma esportiva local e o “Jornal Hoje”.

O canal se deixa no piloto automático, com mais três reprises. “Edição Especial”, “Sessão da Tarde” e “Vale A Pena Ver de Novo”, sequência interrompida apenas pelo “Radar Praça”, que tem entre dez e quinze minutos, justamente para funcionar como um bolsão de ar para que a novela não receba com um dígito.

Agora, façamos um breve exercício de projeção: A RECORD tem jornalismo e novela, justamente quando investiu em algo inédito nesse horário os índices não foram bons. O “Programa da Tarde” (2012 – 2015) durou menos de três anos no ar, mesmo se inspirando numa receita que funcionou no lançamento do “Hoje Em Dia” (2005 – Presente).

O maior ponto de discussão aqui é que uma novela mais forte, bem posicionada e com a devida divulgação, conseguiria brigar pela liderança. Também adepta da lei do mínimo esforço, a emissora teve apenas 4,19 pontos de média geral na mais recente reapresentação de “A Escrava Isaura” (2004), a maior telenovela brasileira.

A concorrência dorme

As duas principais desafiantes de mercado também apostam em reprises de novela. No caso do SBT, é uma dobradinha com “Marisol” e “A Desalmada”.

O entretenimento ao vivo é com o “Fofocalizando”, mas a atração de Gabriel Cartolano tem desempenho irrisório, complexo, para não dizer quase inexistente. A atração teve no mesmo mês de setembro 2,85 pontos de média. Ou seja, quase quatro vezes menos em relação a líder de audiência.

Alguém quer ver esses filmes, Amauri?

A audiência da sessão de filmes apresenta poucas alterações, seja para cima ou para baixo. Fato é que o público das novelas, seja a anterior ou a seguinte, dá de ombros para as escalações do canal. A emissora exibiu entre janeiro e setembro 161 filmes, sem grande aderência do público.

O canal, ainda assim, se manteve na liderança isolada. A seguir, os dados mês a mês dessa performance embasbacante:

JANEIRO 9,20
FEVEREIRO 9,01
MARÇO 9,06
ABRIL 9,33
MAIO 9,31
JUNHO 9,51
JULHO 8,99
AGOSTO 9,14
SETEMBRO 9,27

Os números listados acima comprovam uma acomodação de público. Não é como se “ninguém assistisse”, mas esse é o chamado “público zumbi” da Globo. As pessoas que esquecem de desligar a TV ou trocar de canal depois que a novela termina. Assim, elas acabam usando o filme como um “barulho de companhia”.

Isso é mais do que suficiente para superar as desafiantes de mercado. Pode ser preguiçoso? Pode, mas funciona.


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