Segundo turno começa com espólio de 9,3 milhões de votos e 33 milhões de abstenções

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O processo eleitoral brasileiro teve sua primeira fase realizada ao longo deste domingo (4), com doze candidaturas efetivamente na disputa pela Presidência da República. A briga vai para o segundo turno, que será um duelo entre Flávio Nantes Bolsonaro (PL-RJ) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), os dois nomes mais votados no primeiro turno.

Ao fim da apuração, entretanto, uma surpresa: foi Flávio Bolsonaro quem apareceu na liderança. Com 100% das seções totalizadas, o senador teve 56.104.503 votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos. Em segundo lugar, Lula somou 53.879.538, com 45,16%. A diferença entre os dois ficou em 2.224.965 votos, ou 1,87 ponto percentual.

Começa tudo de novo

A campanha de segundo turno, na prática, já começou. Agora, os dois candidatos vão precisar construir novas alianças e disputar os votos das candidaturas que ficaram pelo caminho. Mas há uma segunda batalha tão importante quanto essa: a participação do eleitorado.

Entre votos brancos e nulos, foram 5.975.047 registros. Já as abstenções chegaram a 33.469.244 eleitores que sequer compareceram aos locais de votação. O percentual foi de 21,08%, o maior desde 1998.

A medalha de bronze derreteu

Nesse primeiro turno, a candidatura que aparece em terceiro lugar é Augusto Jorge Cury (Avante-SP), com 3.448.569 votos, ou 2,89% dos votos válidos.

No último pleito presidencial, a então candidata do MDB, Simone Nassar Tebet, terminou na mesma posição. Foram 4.915.423 votos em 2022, equivalentes a 4,16% dos votos válidos. Cury, portanto, chega ao terceiro lugar com quase 1,47 milhão de votos a menos e uma diferença de 1,27 ponto percentual em relação ao desempenho obtido por Tebet.

É uma pequena lembrança de como a chamada medalha de bronze mudou de tamanho em apenas quatro anos.

Quantos votos há na praça?

A soma das dez candidaturas derrotadas chega a 9.316.747 votos. E esse é um dos grandes assuntos do segundo turno. Primeiro, Flávio e Lula precisarão disputar a participação de quem não compareceu às urnas. Depois, terão de olhar para os eleitores que escolheram candidatos que não estarão na cédula do dia 25 de outubro.

Quase todo esse espólio está concentrado em quatro nomes. Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema receberam, juntos, 9.056.092 votos, cerca de 97% do total destinado às candidaturas derrotadas. São esses eleitores que passam a ocupar uma posição central na nova etapa da campanha.

O voto útil funcionou?

Uma das leituras possíveis sobre o resultado é a de que o voto útil ajudou Flávio Bolsonaro a concentrar parte do eleitorado que, ao longo da campanha, demonstrava preferência por outras candidaturas de direita. O próprio resultado sugere uma desidratação importante de nomes como Caiado, Zema e Renan Santos na reta final.

No outro extremo, os votos das candidaturas de PCB, PCO, UP e PSTU somaram 203.731. Há uma proximidade ideológica que pode favorecer uma conversa com o campo petista, mas não existe transferência automática de votos entre partidos e candidatos.

A maior questão, portanto, está justamente nos votos que não têm destino definido. Cury, Renan Santos e Caiado não declararam apoio imediato a nenhum dos dois concorrentes do segundo turno. Zema, por sua vez, afirmou que estará contra o PT, sem anunciar nominalmente um apoio a Flávio Bolsonaro.

A abstenção seria medalha de bronze

No fim das contas, existe ainda um candidato imaginário nessa disputa. A abstenção, sozinha, reuniu 33.469.244 eleitores. Se pudesse disputar a eleição, entraria no pódio com uma vantagem monumental sobre Augusto Cury, o terceiro colocado.

Naturalmente, não são votos e não podem ser tratados dessa maneira. Mas a metáfora ajuda a explicar o tamanho do desafio. Há uma parcela gigantesca do eleitorado que simplesmente não participou do primeiro turno e que poderá voltar às urnas no segundo.

Serão três longas semanas

O segundo turno está marcado para 25 de outubro, o último domingo do mês. Até lá, muita coisa pode acontecer. Inclusive nada. Os próximos capítulos dessa novela eleitoral começam agora.

O primeiro debate entre os dois candidatos já está marcado para a Band, no domingo (11), às 20h. O confronto foi confirmado durante o “Canal Livre” com os resultados do primeiro turno, será transmitido em conjunto pelas emissoras, rádios e plataformas digitais do Grupo Bandeirantes.

Agora, Lula e Flávio terão diante deles um cenário completamente diferente do primeiro turno. Serão apenas dois nomes na urna, duas campanhas disputando o mesmo espólio eleitoral e um eleitorado ausente que poderá alterar o tamanho da conta final.


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