“Pantanal” entra no radar de reprises

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A novela das nove “Pantanal” (2022) entra no radar de considerações para uma reprise vespertina entre o fim deste e o começo do próximo ano. O folhetim aparece como uma possibilidade de sucessão a “Avenida Brasil” (2012), atual cartaz do “Vale A Pena Ver de Novo”. 

A obra adaptada por Bruno Luperi é a mais exitosa novela da faixa nobre nesta década, apontam dados consolidados. Jamais reprisado, o enredo teria uma missão das mais complexas: Reerguer o espaço de repetecos, que parece aos poucos sucumbir por conta do sucateamento vespertino.

Salvação da lavoura, de novo?

Assim como no ano de sua produção, “Pantanal” entraria no ar para sanar uma crise vivida pelo canal. O enredo é comprovadamente um sucesso, pois foi a última novela das nove a ter trinta pontos de média geral, ainda que pelo arredondamento de casas decimais.

A produção tirou qualquer fantasma da faixa nobre, sua antecessora não foi, exatamente, um grande sucesso da dramaturgia brasileira. Inclusive, há especialistas que conseguem cravar e atrelar a ineficiência de “Um Lugar Ao Sol” (2021), á antecipação no processo de divulgação da nova novela.

Cinco anos depois, vale a pena ver de novo?

O simples fato dessa reprise ser cogitada fez com que as mídias sociais explodissem, dizendo que a novela era muito nova para ser reprisada. Cinco anos depois de sua produção, a trama pode voltar ao ar.

Caso esse resgate aconteça, ele vem em menos tempo do que aconteceu na segunda exibição de Carminha (Adriana Esteves) e seus pares. O enredo de João Emanuel Carneiro esperou sete anos na prateleira, para ter sua primeira oportunidade vespertina. Depois, mais sete anos esperando para ser exibida novamente.

Houve quem tenha lembrado, por exemplo, da reprise de “A Indomada” (1997), ocorrida dois anos depois. Mas, aqui temos um exemplo ainda mais rápido: “Top Model” (1989), saiu do ar em maio do ano seguinte. Seu resgate aconteceu um semestre depois do término, mais precisamente em janeiro de 1991.

Renato Góes precisava ter ficado até o fim

O ator pernambucano Renato Góes foi um dos desperdícios da novela. Foi dele a protagonista na primeira fase, onde conseguiu brilhar como José Leôncio na primeira fase.

Por conta de outros compromissos, ele não retornou como José Lucas de Nada, personagem criada na versão original para promover o retorno de Paulo Gourgulho ao enredo da Manchete, justamente por conta do sucesso do ator como a protagonista da primeira parte da obra.

Na atualização global, o filho perdido de Leôncio (Marcos Palmeira), foi vivido pelo ator Irandhir Santos.

Único remake defensável

A novela original é uma obra-prima. A verdadeira joia da coroa da Rede Manchete (1983 – 1999), não atoa foi reprisada à exaustão, inclusive quando a finada emissora fluminense já estava em estado famélico.

Entretanto, por conta do péssimo estado de conservação, urgia a necessidade de uma releitura. A reprise quase clandestina de 2009 evidenciou que as fitas da novela estavam em degradação, putrefatas. Quase em estado de decomposição.

Esse, portanto, é o único remake defensável. Ademais, porque a novela não estava no catálogo do Globo Play. As atualizações que vieram em seguida, caso de “Renascer” (2024) e especialmente “Vale Tudo” (2025) são completamente desnecessárias. O estado de conservação das novelas originais é dos melhores, porque o arquivamento da Globo é mais zeloso, pelo menos até que se prove o contrário.

O recurso de atualizar uma novela, com nova produção, devia ficar restrito aos folhetins que foram perdidos, ou estão fragmentados no acervo.

>> Com informações do jornalista Gabriel Vaquer, em sua coluna Outro Canal, na Folha de São Paulo


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