Fagulha pode acender “A Fazenda 18”

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A terceira semana de “A Fazenda 18” começa de maneira promissora. Durante a dinâmica do “Aponta Peão”, faíscas foram jogadas no ar pelo elenco e, finalmente, o reality rural encontrou um dos primeiros momentos de grande tensão da temporada. O formato teve um começo morno, tanto na convivência quanto na audiência, mas a nova semana começou com um daqueles conflitos que movimentam um confinamento.

O programa não pode ser analisado isoladamente, sem considerar a vizinhança de sua faixa. Em duas semanas, a atração de confinamento marca 4,49 pontos de média na Grande São Paulo, de acordo com os dados consolidados acompanhados pelo NTVB. O número precisa ser observado dentro do desempenho geral da Record no horário e também diante da audiência obtida pela temporada anterior.

Barraco daqueles e uma peoa apontada

Na dinâmica ao vivo, Giovanna Gold e Darlin Ferrattry protagonizaram uma das primeiras discussões realmente intensas da temporada. A atriz foi apontada pela empresária e, ao receber a oportunidade de responder, escolheu devolver o apontamento com uma sequência de acusações contra a rival.

Giovanna afirmou que faria uma “cena” e, em seguida, começou a disparar contra Darlin. Entre os termos utilizados pela atriz estavam “narcisista”, “perversa”, “mentirosa”, “hipócrita”, “falsa”, “inculta” e “parasita de famoso”. A discussão ganhou outro contorno quando o nome de Lexa, filha de Darlin, entrou na conversa.

Giovanna afirmou que não conhecia a filha da adversária e voltou a provocá-la. Darlin reagiu imediatamente, pediu que a atriz não falasse sobre Lexa e avançou em direção à rival. Outros participantes precisaram intervir para impedir que a discussão chegasse às vias de fato. Depois do confronto, Darlin chorou e recebeu o apoio dos demais confinados.

Para ver o vídeo completo dessa sequência, clique aqui.

Eu sei quem é Polanski

Como acontece em um reality show, o “Aponta Peão” é uma dinâmica criada pela produção para provocar posicionamentos e expor conflitos entre os participantes. E foi justamente nesse ambiente que Giovanna encontrou espaço para transformar seu apontamento em uma espécie de performance.

Durante a discussão, a atriz mencionou Roman Polanski e afirmou saber quem é o cineasta e o que significa psicoterrorismo, enquanto dizia não conhecer Lexa. A referência apareceu justamente depois de Giovanna ter explicado que estava tratando o confinamento como um exercício de tensão psicológica.

O detalhe mais interessante é que Gold havia avisado, antes de começar sua sequência, que faria uma “cena”. Portanto, havia ali um componente assumidamente performático. O que fugiu do controle da situação foi a reação de Darlin, que terminou amparada pelos outros peões após se exaltar com as provocações envolvendo sua filha.

E é justamente aí que “A Fazenda 18” começa a encontrar alguma temperatura. Depois de duas semanas marcadas por uma convivência ainda pouco explosiva, o programa teve um confronto que gerou repercussão imediata e colocou duas participantes no centro do jogo.

Serginho foi o mais apontado

A dinâmica proposta pelo programa é de confronto. O eterno Cabeção de “Malhação” (2000 – 2006) foi apontado pela maioria dos participantes                             como alguém difícil de conviver. Inclusive, houve acusações de preconceito religioso do ator contra um dos confinados. Machismo e racismo também foram lembrados nessa dinâmica. Inclusive, nas mídias sociais, houve quem pediu a expulsão do ator, por conta da gravidade do que foi dito durante o programa ao vivo.

Menos audiência do que o ano anterior

A análise crua de audiência pode ser prematura, mas nesse mesmo período da temporada passada, o programa tinha 5,08 pontos de média geral. A performance atual, portanto, é 11,61% menor em relação ao programa vencido por Eduardo Ferreira de Almeida Camargo, nesse mesmo ponto de exibição.

Entretanto, qualquer análise mais profunda precisa de tempo e maturação dos dados. Não se pode sentenciar ou rotular o programa como um fracasso. A inércia do confinamento pode ajudar a explicar, assim como a adição do horário eleitoral. Mas, o fator preponderante a ser considerado, efetivamente, é a “vizinhança fraca”, fartamente explicada e esmiuçada nesse espaço.

Ainda há outro ponto interessante a ser considerado

Uma apuração de Gabriel Vaquer, publicada na Folha de S.Paulo, levanta a possibilidade de que o movimento de esticar “Quem Ama Cuida”, a novela das nove da Globo, tenha também um componente estratégico para dificultar a vida da concorrência.

E aqui entra uma questão básica de televisão aberta: o horário de exibição não é um detalhe. É parte do produto. Quem acompanha o mercado brasileiro sabe que um programa que entra depois de uma novela das nove enfrenta uma realidade completamente diferente daquele que consegue começar antes ou disputar diretamente a faixa.

Por isso, reclamar que “A Fazenda 18” começa tarde demais sem considerar as variáveis que interferem na programação é uma análise incompleta. A novela das nove, o horário eleitoral e a própria organização da grade fazem parte da equação.

A apuração de Vaquer, portanto, conversa diretamente com a análise apresentada pelo NTVB. Não é necessário afirmar que existe uma operação deliberada para “matar” o reality da Record; basta observar o efeito prático de uma grade que empurra o programa para mais tarde.

Caso “A Fazenda 18” tivesse de disputar audiência diretamente com “Quem Ama Cuida” durante todo o período, o cenário seria outro. Em televisão, cada minuto de programação tem consequência — e a disputa começa muito antes de Adriane Galisteu aparecer na tela.


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