A novela mexicana inédita “Amor Valente” não consegue manter seu rendimento e cai ao fim do primeiro mês de exibição. O folhetim aparece com 2,88 pontos de média geral na Grande São Paulo, após vinte capítulos transmitidos.
O horário nobre da emissora paulista precisa, efetivamente, de um fato novo. A faixa obrigatória da propaganda eleitoral gratuita devasta qualquer oportunidade das desafiantes de mercado fidelizarem uma plateia.
Ainda assim, esses números dinamitam qualquer possibilidade de fixação para a dramaturgia nessa faixa, que recebe sempre em condições mínimas do telejornal anterior.
Antecessora ia melhor
A performance do canal jamais foi auspiciosa, de fato, nesse horário. Grade de televisão é engenharia pura. Um programa joga para o outro e constrói o público de uma emissora. Ainda assim, a exibição de “Joana, A Virgem” tinha uma performance ligeiramente melhor, como demonstram os números.
Nesse mesmo recorte de vinte capítulos, a antecessora marcava 3,12 pontos de média. Nada muito diferente do que se vê atualmente. Além de uma grade enfraquecida, a emissora precisa lidar com uma série de variáveis.
Isso aqui nem “Pantanal” resolveria
Caso Silvio Santos (1930 – 2024) ainda fosse estrategista da emissora, certamente teria promovido mudanças no horário nobre. Mas, nem mesmo uma segunda reprise da versão original de “Pantanal” (1990), resgatada em 2008 pela rede resolveria os problemas.
A maior falha é estrutural, porque o principal telejornal da casa não consegue se impor diante de seu concorrente direto e assim dificulta muito a vida de quem aparece depois na grade de programação.
Não existe uma fórmula mágica, milagrosa, ou tabuleiro ouija que resolva. Seria necessária uma reestruturação quase completa para tornar a faixa de novelas competitiva. O problema, na maioria das vezes, nem é a novela em si.
Mas, seu entorno. Seja o que vem antes ou depois, não parece ter uma sequência, planejamento, encadeamento de grade. Assim, esses resultados podem ser considerados “normais”.
Números comprovam teoria
A atual exibição tem desempenho 7,69% menor em relação ao enredo anterior. Isso é problema de concepção de grade, uma exemplificação perfeita de elefante na sala, ou um sofá no quarto, banheiro.
O canal não tem um grande trunfo para alavancar sua faixa nobre. E isso não é uma afirmação categórica, esse texto está baseado em dados consolidados de audiência. Tem muita coisa não dita nessa construção de grade, que precisa ser desvendada.
As pessoas por trás desse desenho, inclusive, poderiam “pensar mais”, justamente para potencializar as produções do horário nobre.
>> Material construído com base nos dados consolidados de audiência.


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