A personagem Adriana (Letícia Colin) é o maior trunfo para a novela “Quem Ama Cuida”, desenvolvida por Cláudia Souto e Walcyr Carrasco no principal horário de dramaturgia do país.
O tipo é uma anti-heroína, que se comporta diferente da maior parte de suas antecessoras. Isso porque, se pressupõe que toda e qualquer personagem que ponteia o elenco de uma novela é “burra”, ou crédula demais.
Colin sustenta bem a vida da protagonista, consegue entregar dubiedade e não cai em uma caixa de breguice e viver no chamado “mundo de poliana”, ou mesmo para ficar numa referência da própria emissora, um mundo de Candinho (Sérgio Guizé), uma protagonista excessivamente positiva.
Uma atriz que se engrandeceu na RECORD
A atriz consegue jogar em todas as posições de um enredo. Revelada em “Malhação” (2002), a carreira da intérprete se consolidou na RECORD, com tipos nas novelas “Luz do Sol” (2007), “Chamas da Vida” (2008) e “Vidas Em Jogo” (2011).
Antes de voltar para a Globo, se cacifou para grandes personagens ao viver Viviane Galvão Ferreira. Logo na segunda novela na Barra Funda, ela interpreta um tipo que foi abusado sexualmente, ou seja, uma enorme carga dramática, que exige preparo em muitas camadas.
O folhetim alçou a atriz para o hall das maiores de seu ofício. Em seguida, teve outro desafio com Fridman, ao viver Juliana em seu último trabalho na emissora sediada na Barra Funda, quando ela ainda era reconhecidamente uma concorrente à altura no âmbito de produção do entretenimento.
Volta para a Globo e consolidação
A atriz voltou para a líder de audiência em 2013, com um papel em “Além do Horizonte”. Depois, viveu tipos em “Sete Vidas” (2015) e “Novo Mundo” (2017).
Com a prostituta Rosa Câmara, ela ganha o horário nobre e mostra ao público da líder de audiência que pode defender personagens das mais variadas origens. Inclusive, foi na produção de João Emanuel Carneiro que se consolidou uma parceria com Chay Suede, onde ambos praticamente roubaram o protagonismo da história.
Recentemente, viveu duas vilãs em “Todas As Flores” (2022) e “Garota do Momento” (2025), antes de voltar ao principal slot de dramaturgia do país.
As camadas de Adriana
A personagem atual do horário nobre não é uma simples protagonista. Ela conduz todo o enredo do folhetim. A fisioterapeuta Adriana começa a novela perdendo o marido e a casa, numa enchente.
Nesse caso, literalmente, o jogo vira o tempo todo. Ela se aproxima dos Brandão ao se tornar cuidadora de Artur (Antônio Fagundes) e tem o assassinato do milionário atribuído a ela, por supostamente um jogo de interesses.
No fim, a grande história não é o amor dela com Pedro (Chay Suede). Mas, sim sua jornada de retomada. Entretanto, Carrasco e Souto souberam chegar em algum lugar aproveitando a química dos atores.
Nesta semana, ela praticamente vestiu uma carapuça de vilã, ao desnudar o relacionamento de Eudora (Mariana Ximenes) e André (Henrique Barreira). Mas, não para atrapalhar o enlace e sim mostrar a um dos verdadeiros vilões, que ele não tinha o controle da narrativa como pensava.
Assim, consolida-se a vingança contra Ademir (Dan Stulbach), um dos principais atores de sua derrocada. Então, começa uma “jornada da heroína”, mesmo que dessa maneira pouco ortodotoxa.
Por isso, não se pode dizer que ela, Adriana, é uma “mocinha boba romantizada”, bem longe disso.


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