“Quem Ama Cuida” dispara no horário nobre

|

|

A novela das nove “Quem Ama Cuida”  recupera ainda mais terreno na principal janela de entretenimento na programação da Globo. O enredo, criado por Walcyr Carrasco e Cláudia Souto, aparece com 22,91 pontos de média geral em dezesseis semanas no ar. O desempenho é superior ao das antecessoras e mostra sinais de recuperação. 

O folhetim aparece com um crescimento direto de 14,49% em relação a “Três Graças” (2025), algo extremamente relevante para a realidade de consumo atual do espaço nobre da emissora que lidera de maneira crônica em todo o país. A trama tem elementos para se tornar um fenômeno, desde que o canal não jogue contra sua exibição, como tem acontecido em semanas recentes ainda que por motivos alheios ao desejo da emissora.

Apenas um cancelamento

O enredo tem sido preservado na maior parte dos dias em que a grade é diferente. A trama foi cancelada, apenas, no dia 24 de junho. A Copa do Mundo FIFA foi exibida nesse dia, ou seja esse rendimento poderia ser ainda maior para a história das nove.

A fase do horário nobre não é das melhores, nem mesmo com material suficientemente atualizado para fazer o “Jornal Nacional” respirar em melhores condições. O que se pode concluir, portanto, é que a plateia da emissora “comprou” a exibição.

Carrasco se adapta ao que o público quer

A atual novela das nove pode ser moldada a partir do gosto de quem acompanha. Carrasco é mestre nisso, ele usa o elenco em favor da obra o tempo todo. Não tem vergonha de implodir algo que não funciona, ou investir em histórias que chamem a atenção dos que assistem. Nesse caso, o maior erro aparece com a formação de um casal completamente sem química e querido apenas por uma bolha nas mídias sociais.

Ainda assim, esse desenvolvimento como um todo é completamente diferente. O ator Rainer Cadete, por exemplo, tem uma saborosa troca em cena com a personagem defendida por Tata Werneck, química atestada pelo próprio Carrasco em “Terra E Paixão” (2023).

Protagonistas certos

Além dos testes em obras próprias, Carrasco se aproveita de um azeitamento feito por João Emanuel Carneiro. O par romântico formado por Chay Suede e Letícia Colin foi gestado em “Segundo Sol” (2018) e explode a tela em cada interação. Até nisso, o novelista faz uma leitura melhor do que um outro reaproveitamento de casal.

Recentemente, nessa mesma faixa das nove os atores Humberto Carrão e Alice Wegmann foram colocados como casal, nove anos depois de “A Lei do Amor” (2016), que tinha nesses dois seu maior ponto de ancoragem.

Mas, na obra mais recente toda a química parece ter sumido. Não por culpa dos atores. O desenvolvimento do texto na releitura de “Vale Tudo” ficou muito aquém do esperado, a história ficou sob responsabilidade de uma autora que tinha em seu currículo apenas uma novela como titular.

Histórico da emissora é favorável

O canal carioca sempre conseguiu respiro e reaproveitar química de grandes casais. Carrasco não é o primeiro, tampouco será o último a fazer isso. No fim do século passado, por exemplo, Glória Perez assinou a segunda versão de “Pecado Capital” (1998), meses depois do fim de “Por Amor” e surfou uma onda positiva criada por Manoel Carlos. Carolina Ferraz e Eduardo Moscovis surgiram juntos de novo e entregaram tudo.

Então, o atual autor da novela das nove não reinventa a roda. A própria rede já faz isso desde o fim do século passado. Talvez aqui, entre o maior ingrediente de responsabilidade, justamente por quem assinou a versão mais recente de “Vale Tudo” (2025).

Toda a química vista na obra de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari não sumiu. Mas, foi colocada em décimo plano por falta de desenvolvimento do texto. Carrão e Wegmann já tinham funcionado juntos. A nova novela recebeu esse reencontro, mas não encontrou material equivalente para os dois.


Publicado

em

por

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *