A Globo quer mesmo reverter os sinais de crise que rondam a programação da líder de audiência. Por isso, uma cartada ousada tem sido analisada pela empresa. Uma terceira reprise de “Roque Santeiro” (1985) na faixa vespertina, duas décadas depois da primeira passagem do enredo pelo “Vale A Pena Ver de Novo”.
A primeira reprise foi ao ar em “Sessão Aventura”, no fim de tarde. O enredo foi transmitido na faixa que depois seria conhecida pela produção de “Malhação” (1995 – 2019). Nessa reposição, a trama teve 24,25 pontos de média.
O folhetim escrito por Dias Gomes e Aguinaldo Silva é um dos maiores fenômenos da dramaturgia nacional, produzido dez anos depois de ter sua primeira versão censurada pela Ditadura Militar (1964 – 1985), justamente no momento em que o primeiro governo civil assumia o comando do país. A obra, estrelada por José Wilker, Regina Duarte e Lima Duarte foi um grito de liberdade.
A obra original, que teria a atriz Elizabeth Maria Silva de Faria, conhecida artisticamente por Betty Faria como Porcina, sequer viu a luz do dia. O enredo foi barrado pela Censura Federal e não há grandes registros sobre ela. Dez anos depois, a trama foi liberada. Mas, quem passou a defender a protagonista foi Regina Blois Duarte, a então namoradinha do Brasil.
Mas, fica no lugar de quem, Amauri?
A líder de audiência tem duas faixas de novela em seu horário vespertino. Quem se despede primeiro é o repeteco de “Além do Tempo” (2015), que ocupa a faixa da Edição Especial. Os enredos escolhidos pela Globo para esse horário podem ser considerados “mofo”, isso quer dizer que em caso de confirmação, faria mais sentido que a trama seja transmitida ali.
Nesse espaço, por exemplo, foram exibidas “O Cravo E A Rosa” (2000), “Mulheres de Areia” (1993) e “História de Amor” (1995), produções mais antigas e que resultaram bem nos números de audiência e repercussão.
O atual cartaz, entretanto, tem rendimento abaixo do esperado. A novela até começa com estética de época, mas conta com um salto temporal que joga a história justamente para o seu ano de produção.
A outra possibilidade é entrar no espaço hoje ocupado pela terceira exibição de “Avenida Brasil” (2012), que não conseguiu repetir seus números do repeteco da pandemia. A obra das nove chega ao fim em novembro, servindo como ‘esquenta’ para a próxima produção do horário nobre.
Última reprise foi mal
A Globo resgatou esse título no começo do século, como forma de comemorar seus 35 anos de vida. A produção em seu segundo resgate teve 15,16 pontos de média, número abaixo do esperado para um dos maiores fenômenos da dramaturgia nacional. Por isso, naquela altura a obra foi sucedida pela enfadonha exibição do “Você Decide” (1992 – 2000) na faixa da tarde.
Em virtude do fracasso, o programa apresentado pela modelo Susana Werner foi sucedido por uma novela da mesma época de Roque. A emissora vasculhou o arquivo e resgatou “A Gata Comeu” (1985), onze anos depois de sua primeira reapresentação.
O enredo das oito foi incomodado pelas reprises do seriado infantil “Chaves” (1973 – 1980), exibidas em looping pela então segunda colocada de audiência na maior praça do país. O menino do barril, inclusive, vitimou a primeira fase do “Mais Você”.
>> Com informações do jornalista Gabriel Vaquer, em sua coluna Outro Canal, na Folha de São Paulo.


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