“Por Você” mantém diferença mesmo com horário político

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A novela das sete “Por Você” fecha a segunda semana de exibição e continua à frente de sua antecessora, mesmo com a adição do horário eleitoral gratuito que bagunça a faixa nobre de todas as emissoras.

O enredo criado por Dino Cantelli e Juliana Peres acumula, como aponta levantamento realizado pelo NTVB, 19,59 pontos de média, em duas semanas, na Grande São Paulo. A trama segue com mais público do que o folhetim criado por Isabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento, mesmo com o bloco de programa partidário grudado no fim dos capítulos.

O horário ressurgiu?

A novela escrita por dois estreantes tem mais público que a antecessora, mesmo com as condições adversas impostas pela segunda semana do enredo, quando o bloco do horário eleitoral gratuito entrou no ar.

Para se ter uma ideia, com duas semanas em tela a obra tem 6,23% mais audiência do que “Coração Acelerado”, sua antecessora direta e que versava sobre um romance em meio ao mundo da música sertaneja.

Novela é bem desenvolvida e equilibrada

A nova obra das sete é muito bem amarrada, consegue prender o público e criar ganchos interessantes. Além disso, equilibra as coisas com o tempo de tela. A trama valoriza todos os núcleos com tempo de tela e funções importantes para nomes como Antônio Pitanga, Renata Sorrah e José de Abreu.

O trio tem funções importantes na obra, como os donos de bar Próspero (José de Abreu) e Clemente (Antônio Pitanga), que vivem uma rivalidade histórica e para completar a torta de climão, eles são vizinhos.

Sorrah, por sua vez, tem a missão de ser Pérola a mãe da vilã, praticamente um algodão entre cristais. A cada cena, uma explosão. Nomes como esses dão recheio mais do que interessante ao enredo e provam que se pode ter uma união interessante entre algo mais “farofa” e densidade.

O canal tem na produção, ainda, uma chance de ouro: discutir temas ligados a educação e ao capacitismo, sofrido pelos filhos de Juli (Lucy Ramos), que morreu depois de um acidente de carro. Agora, a tia Bela (Sheron Menezzes) é quem cuida das crianças, mesmo sem nunca ter sido mãe na vida.

Não depende de um acontecimento

A história se desenvolve em diferentes frentes, ou seja, não depende apenas de uma trama, núcleo. Ou mesmo de um tipo de narrativa. Aqui, a emissora acertou ao promover Peres e Cantelli, que entregam algo diferente em uma faixa marcada por mesmices nos últimos anos. Um gol de placa, em meio a fórmula pasteurizada para a faixa que o canal encontrou nos últimos anos.

Talvez, jogar sozinha tenha feito mal. E assim acontece há onze, pelo menos desde o fim de “Vitória” (2014), quando a RECORD abandonou a linha de novelas seculares. A trama de Fridman terminou no dia 20 de março de 2015. O canal não tem nos dias atuais uma concorrente direta na dramaturgia em televisão aberta, porque as demais redes aparecem com um abismo de diferença para a líder.

NEIVA DO CÉU, cadê a concorrência?

Os dois canais desafiantes de mercado nicharam seus conteúdos e hoje dependem de que as pessoas lembrem: “Tem novela na RECORD”, ou “Tem novela no SBT” para serem sintonizados, especialmente na faixa nobre e quando o assunto é dramaturgia nacional. A RECORD, pelo menos, consegue furar um pouco sua bolha com as novelas turcas.

A rede dos Abravanel nem isso, mesmo apostando em um dos seus quadros históricos, que é novela mexicana.


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