“Iludida” estreia para atender necessidade na RECORD

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A novela turca “Iludida” ganha o horário nobre da RECORD a partir desta terça-feira (26), com um objetivo evidente: levar o canal de volta aos seus melhores momentos, depois de queda nos índices de audiência, o que quer dizer perder uma parcela do público no horário nobre com os dois títulos estrangeiros exibidos recentemente.  

A emissora teve uma ruptura na construção do público de produções europeias. Uma trinca de produções religiosas, “Paulo O Apóstolo”, “A Vida de Jó” e “O Senhor E A Serva” ocupou esse espaço por  75 dias.

Por um erro de estratégia, “Força de Mulher” (2017) não foi sucedida por outra novela turca. Recentemente, a rede sediada na Barra Funda voltou a apostar nesse nicho e exibiu “Mãe” (6,33 pontos) e “Coração de Mãe” (5,84 pontos), após enredos religiosos que contribuíram para uma queda generalizada do horário, exemplificada mais adiante.

O maior erro da Barra Funda

A emissora de Edir Macedo Bezerra cometeu um enorme erro ao substituir a primeira novela turca da faixa nobre por produções nacionais que derrubaram a audiência e o interesse do público pela faixa. De cara, o canal perdeu 34,81% com a exibição do enredo religioso. A obra estrelada por Murilo Cezar teve apenas 5,15 pontos de média, contra 7,90 pontos da novela estrangeira. Ou seja, afugentou um terço do público que parece voltar de maneira gradativa.

O horário de novelas, entretanto, jamais voltou aos índices registrados pela primeira obra turca exibida pelo canal. Curiosamente, a faixa recebeu esse primeiro título, no mesmo dia da estreia de “A Caverna Encantada” (2024), na programação de sua concorrente direta.

O segundo enredo religioso dessa leva teve 5,17 pontos de média, com o protagonismo de Juliana Didone e Guilherme Berenguer e uma tímida recuperação nos números, quase um “andar de lado”. Por fim, a obra protagonizada por Dudu Pelizzari e Natalia Florentino aparece com 4,77 pontos de média.

Ao todo, o canal esses 75 dias em apagão, perdendo público gradativamente, até a chegada de uma nova produção turca. O movimento de tentar reconstruir pontes com a plateia das turcas parece mais assertivo. Porque, a emissora deve fixar esse espaço de novelas turcas, em uma dobradinha com seu principal informativo.

A ver quais serão os desdobramentos, mas se a segunda novela turca tivesse entrado logo depois, a média de Zeynep e Malek seria substancialmente maior, com possibilidades até de superar a antecessora. Essa linha foi quebrada. A obra responsável por essa retomada apresentou um crescimento de 32,7%, saltando de 4,77 para os 6,33 pontos de média geral.

Para se ter uma ideia, a novela finalizada nesta segunda-feira (24), ficou com 26,08% menos audiência do que a produção responsável por abrir a faixa. É justamente esse público que o novo folhetim deve “atacar”. Além, é claro, de contar com a contribuição do noticiário no dia e a constância do telejornal da emissora, que não passa por um grave momento de crise há sete anos.

 Produções religiosas perderam força

Uma década depois da estreia de “Os Dez Mandamentos” (2015) e quase vinte anos do começo desse tipo de investimento, a emissora paulista sofre as mazelas do desgaste. Assim como aconteceu com a dramaturgia infantil da concorrente, os enredos baseados nas sagradas escrituras bateram no teto e começaram a definhar no principal espaço de novelas do canal.

A emissora quer vender como série, mas na realidade são novelas. Não há qualquer motivo para chamar por outro nome. Os mais recentes lançamentos dessa linha tiveram  audiência similar aquela atingida pelas reprises vespertinas do canal.

Pode ser criado um outro problema

Com o rebaixamento das novelas bíblicas, quem pode sofrer mais é a linha rotativa. Ainda mais em setembro, quando a rede da Barra Funda lança seu maior produto de entretenimento e responsável por vencer a concorrente. “A Fazenda” não deveria passar por esse processo, que vitimou por quatro anos o “Jornal Da Record”, ainda em sua formação clássica.

O programa de confinamento rural liderado por Adriane Galisteu é a grande alavanca de entretenimento da grade, repercute no “Hoje Em Dia” e não pode sequer pensar em flertar com derrotas frequentes. Se isso acontecer, pode se transformar em uma versão com famosos de “A Casa do Patrão”, formato brasileiro produzido em parceria com a Disney.


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