A Globo vai promover uma alteração importante no cronograma de novelas das nove, com o provável retorno antecipado de Aguinaldo Ferreira da Silva, responsável por “Três Graças” (2025), apenas duas produções depois. O canal não costuma mexer nesse tipo de coisa, porque respeita uma janela maior para os profissionais da principal faixa de entretenimento.
O canal recorre a esse expediente pouco usual, porque pensa que pode garantir bons índices de audiência apostando em fórmulas consagradas de dramaturgia. A emissora teve problemas quando fez apostas mais ousadas, em dois dos seus espaços de dramaturgia. Agora, vai no que se costuma chamar de “bola de segurança”, ou em outra definição tem o nome de audiência garantida.
Nesta década, por exemplo, Manuela Dias escreveu “Amor de Mãe” (2020) e voltou ao ar cinco anos depois, com a releitura de “Vale Tudo” (2025). A autora Lícia Manzo assinou “Um Lugar Ao Sol” (2021) e não mais regressou ao espaço nobre. Agora, houve um caso que a rede recorreu duas vezes a um mesmo novelista, com os remakes de “Pantanal” (2022) e “Renascer” (2024).
Glória Perez fez uma novela na década
A emissora dispensou a autora Gloria Maria Ferrante Perez, depois do insucesso de “Travessia” (2023). O enredo foi concebido após o cancelamento de “Rosa dos Ventos”, sinopse descartada pela rede fluminense.
O novelista Walcyr Carrasco é o atual ocupante do espaço nobre com “Quem Ama Cuida”, mas ele assinou também “Terra E Paixão” (2023), no penúltimo grande suspiro de audiência do canal fluminense.
João Emanuel Carneiro tem trunfo nas mãos
A emissora dos Marinho tem um trunfo em meio a esse planejamento. O próximo folhetim das nove tem a assinatura de João Emanuel Carneiro, em um trabalho dentro do universo de “Avenida Brasil” (2012), seu último grande sucesso das nove e que não consegue performar bem na janela vespertina, onde está em reapresentação no “Vale A Pena Ver de Novo” pela segunda vez.
O novelista tem ainda algum tempo, mas a novela não possui título oficial. A rede enfrenta escassez de nomes para o seu principal espaço de dramaturgia, transmitido logo depois do “Jornal Nacional”.
Globo tem dois buracos
A emissora precisa trabalhar com duas grandes lacunas em seu planejamento: A falta de novelistas experientes para revezar na faixa das nove e a escassez de profissionais que tenham algum domínio sobre folhetins que poderiam ser exibidos às sete.
Das estreias recentes, quem parece saber lidar melhor com momentos mais críticos é a dupla responsável de “Por Você”, Juliana Peres e Dino Cantelli. Além deles, a janela de dramaturgia parece depender de nomes como Daniel Ortiz e Rosane Svartman.
No horário das nove, caso seja aprovado, Luperi pode para o seu terceiro trabalho na década com “O Arroz de Palma”, o primeiro enredo autoral ou qualquer outra sinopse que ele desenvolva a pedido do canal controlado pelos Marinho.
>> Material de análise desenvolvido com base no cronograma das duas faixas de novela mais importantes da líder de audiência. As informações sobre a antecipação da volta de Aguinaldo Silva são do site Notícias da TV, assinado pelo jornalista Daniel Castro.


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