A atriz paulistana Laurinda de Jesus Balleroni morreu na madrugada desta terça-feira (18), aos 98 anos de idade, semanas antes de completar mais um ano de vida. Conhecida como Laura Cardoso, ela era uma das pioneiras da televisão brasileira. Seu trabalho mais recente foi em “A Dona do Pedaço” (2019), escrita por Walcyr Carrasco, seu parceiro mais recorrente nas últimas décadas.
O dia a dia da atriz era constantemente retratado nas mídias sociais, sempre com uma mensagem positiva e um sorriso no rosto. A confirmação do óbito foi publicada nas mídias sociais, no perfil da atriz.
Pioneira da televisão
Balleroni era uma profissional completa. A carreira começou aos dezesseis nos de idade, ao trabalhar na Rádio Cosmos em São Paulo. O rádio, como se sabe, é a base da televisão brasileira. A atriz é um dos nomes que colocou a mídia mais popular do país no ar, ao lado de nomes como Hebe Camargo (1929 – 2012) e Lolita Rodrigues (1929 – 2023).
A sua primeira novela diária foi “Quando O Amor É Mais Forte” (1964), produzida e exibida pela TV Tupi, em 48 capítulos onde foi Lídia. Antes, atuou por programas da emissora carioca, nos treze anos anteriores desde a inauguração do veículo no país. O formato anterior às novelas são chamados de teleteatros, são a base daquilo que conhecemos hoje como novela.
Teve passagens por Band e RECORD, antes de chegar ao elenco da Globo. Ela viveu personagens importantes numa era onde havia produções em outras emissoras, com profusão importante, onde havia pelo menos quatro produtoras de novela.
Chegada na Globo
A estreia na Globo aconteceu na novela “Brilhante” (1981), como a personagem Alda Sampaio no enredo das oito desenvolvido por Gilberto Braga. Três anos depois, já com contrato fixo, esteve no elenco de “Pão Pão Beijo Beijo”, produzida para a faixa das seis.
Na década seguinte, foi recorrentemente solicitada, com personagens importantes em novelas como “Felicidade” (1991), “Mulheres de Areia” (1993), “A Viagem” (1994), “Irmãos Coragem” (1995), “Explode Coração” (1995), “Salsa & Merengue” (1996), “Meu Bem Querer” (1998) e “Vila Madalena” (1999). Em oito anos, foram oito novelas, quase uma produção por ano.
Rotina menos intensa nos anos 2000
Após uma nova passagem pela RECORD, volta a Globo com uma personagem fixa em “A Padroeira” (2000), depois fez “Esperança” (2002) e “Chocolate Com Pimenta” (2003), como avó da protagonista.
Dois anos depois, vive uma sábia mãe de pescador. Francisca é uma pessoa que vive a comunidade e entende cada um que encontra. Mesmo sem a visão, ela enxerga tudo e com uma riqueza de detalhes que impressiona. A personagem em “Como Uma Onda” (2005), assim como Abigail em “O Profeta” (2006), tinham a intuição e espiritualidade desenvolvidas.
Última novela e trabalhos recentes
Em uma rotina menos corrida, ela continuou trabalhando nas décadas seguintes. Sua mais recente novela foi “A Dona do Pedaço” (2019), reprisando a parceria com Carrasco que foi uma marca dos seus trabalhos nos últimos vinte anos.
A rotina da atriz foi mostrada em “Encontro”, especialmente na pandemia. Assim como aconteceu como Ary Fontoura, que se redescobriu como influenciador em meio ao isolamento social.
Mesmo sem fazer novelas, ela se manteve ativa. Foi amplamente homenageada, inclusive com um episódio de “Tributo” onde teve a carreira revisitada com carinho e cuidado, junto ao canal fluminense.
O seu mais recente trabalho foi no curta-metragem “Dona Rosinha”, no ano passado, vivendo a personagem – título.
>> Com informações do caderno de Cultura do jornal O Globo.
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