“Coração Acelerado” sai de cena sem deixar saudade

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A novela das sete “Coração Acelerado” sai de cena na noite desta sexta-feira (14), sem deixar qualquer sentimento de saudade por parte da Globo, líder de audiência no país. O enredo teve problemas de compreensão junto ao público, se sustentou na maior parte do tempo apenas pela beleza do elenco e foi uma aposta que não funcionou. 

O canal não perdeu a liderança, porque isso é algo que deveria ser construído a longo prazo. Nem mesmo com essa retração importante, por exemplo, os telejornais “Jornal da Record”, “Jornal da Band” e “SBT Brasil” conseguiram se aproximar. A grande questão é que esse desempenho da novela seria motivo de comemoração em qualquer desafiante de mercado, que não vê dois dígitos costumeiramente em sua grade regular.

Baliza para quem lidera é diferente

A baliza para a líder de audiência, entretanto, é muito diferente. Na prática, desde o começo da década de 2020 nenhuma produção inédita conseguiu furar a bolha de fato. Apenas “Vai Na Fé” (2023) foi bem, dentro de uma realidade nova de consumo. Até mesmo o trabalho seguinte de Rosane Svartman não teve o mesmo impacto. Aliás, esse é outro ponto a se registrar: O espaço de novelas ficou dominado por dois ou três nomes, que entregam produções similares entre si.

Quem pensa um pouco diferente, fora da caixa, sofre. Maria Helena Nascimento e Isabel de Oliveira pensaram uma proposta diferente de enredo, que não foi compreendida pela plateia habitual do horário. Mas, nem mesmo uma comédia mais rasgada, como “Fuzuê” (2023) foi bem recebida. Aparentemente, a atual plateia quer algo mais pesado, com cenas de briga e tiroteio. A reta final do trabalho de Svartman entregou isso e conseguiu subir.

Problemas de construção

Seria muito mais “torcível”, por exemplo, se as personagens tivessem mais camadas. O elenco faz o que pode, dentro do texto entregue. A maior interrogação nesse caso é mesmo o desenvolvimento. Talentos como Filipe Bragança e Isadora Cruz, o casal protagonista, acaba pequeno e quase escondido diante de uma obra incompleta e mal estruturada. Atores bons com personagens mal desenvolvidas ou ruins, entregam obras medianas.

Atores bons, com personagens bem escritos conseguem surfar na trama sem maiores dificuldades. Quem perde, com tudo isso é o público. Normal uma construção diferente, mas é preciso respeitar uma liturgia desse tipo de obra. O elenco, via de regra, não tem responsabilidade quando uma novela não funciona. Recentemente, isso foi amplamente visto com a releitura de “Vale Tudo” (2025).

Próxima novela tem estrutura convencional

A emissora aposta em algo um pouco mais convencional, a partir da próxima segunda-feira (17), “Por Você” bebe numa fonte muito conhecida dos noveleiros e noveleiras. O enredo é autoral, inédito, mas tem elementos vistos nas histórias de Manoel Carlos (1933 – 2026).

O atual enredo se despede com 19,57 pontos de média. A próxima trama, para superar a antecessora precisa acumular por semana 120.0 pontos nos seis capítulos da semana, assim fecharia com 20,00 pontos.

A performance necessária para bater “Dona de Mim” é acumular por semana 132 pontos por semana, o que renderia uma média de 22.00 pontos ao fim da exibição, com a terceira melhor audiência da década e o mais alto desempenho desde 2023.


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