“Bora Brasil” tem menos público que RR Soares

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O telejornal matinal “Bora Brasil” abre a programação competitiva do jornalismo da Band, com o comando de João Paulo Vergueiro, Cynthia Martins e  Patrícia Rocha. A atração recebe o horário do “Band Sports News”, que tem dificuldades de se colocar como competitivo em uma faixa dominada pela prestação de serviço. 

O informativo termina a sétima parcial do ano com apenas 0,304348 ponto de média. Por que foram colocadas quatro casas além do número que costumamos usar em materiais como esse? A audiência da produção própria, que vai ao ar contra outros formatos nessa mesma linha, é menor do que o programa “Show da Fé”, espaço arrendado no horário nobre por Romildo Ribeiro Soares, no ar logo depois da novela turca da rede.

Audiência abençoada, né Romildo?

Os dados consolidados apontam que as pregações da Igreja Internacional da Graça de Deus (IIGD) acumularam 0,33913 ponto de média. Para trazer a discussão aos termos que nos acostumamos, a vantagem absoluta de Soares é 0,34 x 0,30, isso em termos comparativos, representa uma diferença de 11,4% entre o programa próprio e o programa do líder religioso.

A faixa arrendada pela legenda religiosa se aproveita da audiência conquistada pela novela “Guerra das Rosas”, acaba pegando uma “sobra” desse público, ainda que a plateia do folhetim não permaneça na emissora com o fim do enredo.

Por que as casa decimais são importantes?

Nesse caso, usar o número completo evidencia duas coisas sobre a grade da Band: O teto da grade matinal é tão baixo, mas tão limitado, que um programa independente consegue ter mais público no horário nobre, mesmo concorrendo com a novela das nove, programa de maior audiência da televisão brasileira. Além disso, demonstra na prática a baixa competitividade do canal.

A emissora sai de um estado inerte, apenas, com a entrada do “Jogo Aberto” apresentado por Renata Bonfiglio Fan. O canal se mantém competitivo por aproximadamente dez horas, brigando com o SBT.

Logo depois da faixa arrendada, que funciona como uma bola de demolição no desempenho do canal, a linha de shows sofre. Muito por conta disso, além da saturação do formato, o “Masterchef” não consegue mais ser competitivo há tempos.

Emissora depende desse espaço arrendado

Em outros tempos, o canal chegou a abrir mão da parceria com Soares no horário nobre. Produziu duas atrações de entretenimento, a saber: “Faustão Na Band” (2022 – 2023) e “Melhor da Noite” (2023 – 2026), mas não conseguiu se firmar sem a atração da legenda religiosa em seu espaço nobre. Por algum tempo, o show de Soares chegou a ocupar a faixa matinal, onde a participação de televisores ligados é consideravelmente menor.

A rede não consegue se manter competitiva depois da novela. E isso é um problema crônico, que não parece ser solucionável nem mesmo no longo prazo. Para se ter uma ideia, a parceria do televangelista com a emissora começou após o cancelamento do programa “Descontrole” (2002 – 2003), que precisou até mudar de nome na emissora, para seguir no ar. A condução do formato era de Marcos Mion, hoje responsável pelo “Caldeirão” nas tardes de sábado da Globo.

Soares e sua legenda religiosa ficaram com o horário nobre por quase vinte anos, até a reestreia de Fausto Silva na Band. A história, portanto, mostra que o problema vivido pela emissora não é novo. A emissora precisa provar, quando coloca alguma produção própria, que consegue garantir a plateia e os rendimentos dentro dessa faixa nobre, isso não acontece há tempos.

O comparativo entre as duas extremidades da programação evidencia a fragilidade do canal, mesmo com um dos seus maiores ativos, que é justamente o jornalismo.


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