O drama médico “Grey´s Anatomy” (2005 – Presente) teve seu eixo de desenvolvimento alterado a partir da morte de uma de suas principais personagens. Quando Derek Shepherd (Patrick Dempsey) é atropelado e morre, a série perde uma de suas figuras centrais e precisa encontrar outras maneiras de permanecer no ar.
A então aspirante da neurocirurgia Meredith Grey (Ellen Pompeo) sempre foi a grande protagonista, primeiro pelo nome do programa. Depois, por querer entender quem ela era nas temporadas iniciais, tendo que lidar com a doença da mãe e os primeiros passos no hospital.
O processo de transição e de maior maturidade emocional fica ainda mais evidenciado a partir da 12° temporada, primeira sem a presença do neurologista, onde a narrativa precisava se provar, naquela altura, com apenas um eixo de protagonismo, justamente com a personagem que dá nome ao enredo.
Grey sempre foi o eixo central da história
Desde a primeira temporada, o tipo defendido por Pompeo era quem ditava o ritmo da história. Continua sendo assim, mesmo com a diminuição de sua presença constante nas temporadas mais recentes. A trama parece rodar sozinha, sem depender de um grande nome ponteando o time.
Aos poucos, nas temporadas seguintes ao falecimento, o protagonismo de Meredith muda. Ela assume a chefia de Cirurgia Geral, se desafia com os pacientes e ao mesmo tempo precisa lidar com a chegada de uma meia-irmã que não conhecia, a cardiologista Maggie (Kelly McCreary).
O seu relacionamento com a cunhada Amelia (Catarina Scorsone) também sobe aqui, porque ela assume o posto do irmão na liderança da neurocirurgia do Grey´Sloam Memorial.
Por que a ABC mudou o foco da história?
A ABC criou um grande universo ao apostar na produção desse drama médico. O enredo não é uma simples história de amor. É complexa, vascularizada e quase independente da maioria de suas personagens iniciais. Fica, do elenco original apenas quem dá nome ao produto e quem é pedra fundamental, no hoje longínquo Seattle Grace Hospital.
O canal escolheu fazer mudanças geracionais, sem prejudicar a estrutura da história. Isso se exemplifica em dois movimentos: Quando o hospital muda duas vezes de nome e na casa que era de Ellis Grey (Kate Burton), transformando-a quase que em uma república de residentes, onde acontecem as trocas geracionais da trama e as convivências de internos, médicos de staff e diretores do hospital.
Agora, não é mais uma história de amor entre duas pessoas, premissa da maior parte das séries. Neste ponto, atende a um universo inteiro que precisa ser desenvolvido, bem cuidado e fazer sentido com as então onze temporadas anteriores.
Isso funciona muito bem, porque continua acontecendo até em temporadas mais recentes. Se não com a presença física da casa, com a ideia de misturar personagens de diferentes eras dentro do enredo. Shonda pode ter mil defeitos, ter sido responsável pela morte de quase todos os protagonistas da primeira geração, mas isso ela conseguiu.
A história, hoje, não depende de uma personagem para sobreviver.
O grande elo geracional
As únicas presenças remanescentes fixas desde a estreia são, curiosamente, de dois cirurgiões gerais: Miranda Bailey (Chandra Wilson) e Richard Webber (James Pickens Jr.). Eles são a ponte do legado de Elis e da primeira turma de internos, com as gerações atuais da produção.
Ninguém fica mais de duas décadas no ar sem competência, ainda mais no mundo onde séries dessa linha se canibalizam. Até hoje, Grey´s foi quem melhor ocupou o espaço que era apenas de “E.R” (NBC, 1994 – 2009), porque tem essa ideia de continuidade e reverência a história.
Richard e Miranda são a representação perfeita de que pode-se homenagear a história e com eles apostar no futuro.
Funcionou?
As duas grandes mudanças de eixo representaram quebras narrativas na história. Independentes, elas impuseram um ritmo diferente, cada uma a seu modo, ao enredo que permanece no ar desde 2005. Meredith não é mais a protagonista, mas continua sendo. Agora, se transformou numa “iminência parda”, que pode aparecer em qualquer tempo.
Piscou? Ela aparece pra operar. Se distraiu? Ali está ela, com um conselho sobre o que deve ser feito. Inclusive, os filhos dela poderiam aparecer mais, agora adultos, dentro da rotina do hospital. Fica a dica, dona Rhimes.
Futuro da franquia
Dentro desse universo compartilhado por quatro histórias, é fundamental entender o tamanho disso. Primeiro, o público foi levado para “Private Pratice” (2007 – 2012), trama que se passa em Los Angeles, acompanhando a vida de Adison (Kate Walsh) fora do universo do hospital. Seus amores, dissabores e medos, tudo o que fazia sentido naquele arco.
Em seguida, somos introduzidos em “Station 19” (2018 – 2024), com o gancho de transformar Benjamin (Jason Winston George) em protagonista de uma história própria.
Agora, surge uma nova trama. Ainda dentro desse universo Rhimes, seremos levados a uma história ambientada no Texas e com estreia marcada para o próximo ano.


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