RECORD colhe frutos na faixa vespertina

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A primeira exibição vespertina da novela “Jesus” consegue se sair bem e abre uma vantagem importante diante de sua antecessora, pelo menos no recorte dos três primeiros meses dessa exibição, posicionada logo depois do “Balanço Geral”.

O desempenho da obra é surpreendente, mas na realidade abre margem para um outro tipo de discussão. Até o capítulo 60, a trama desenvolvida por Paula Richard teve 4,01 pontos de média. “A Escrava Isaura” (2004), com a mesma quantidade de capítulos marcou 3,93 pontos de média geral.

A diferença em favor do atual cartaz está na casa dos 2,04%, nada muito alarmante. Entretanto, pode indicar um caminho para a rede. De todo modo, o canal precisa pensar bem sobre qual será sua próxima novela da tarde, ainda que a substituição esteja longe de acontecer.

Onze anos com novela na faixa

A ideia de reprisar novelas de sucesso na faixa da tarde começou com o cancelamento do “Programa da Tarde” (2012 – 2015). O expediente foi adotado em julho daquele ano, com a segunda exibição da história “Prova de Amor” (2005).

Nesse período todo, a audiência é estável. Algumas novelas foram melhores do que outras, muito pela fase auspiciosa do “Balanço Geral” com Reinaldo Gottino, que constantemente atirava o “Vídeo Show” para o segundo lugar.

As escolhas desse primeiro horário sempre foram mais fortes, houve um momento que até mesmo a frágil “Luz do Sol” (2007) foi resgatada e conseguiu se impor. Entre as exibições, quem melhor se saiu nessa primeira faixa foi “Amor E Intrigas” (2007), exibida no ano de 2016.

Ao mesmo tempo, outros títulos em potencial foram desperdiçados no segundo espaço, casos de “Bicho do Mato” (2006) e “Vidas Em Jogo” (2011).

Quem é a plateia desse horário?

O espaço de novelas em questão passa por transformações desde o começo desta década. A performance baixa de “Chamas da Vida” (2008), por exemplo, fez com que a rede mudasse o foco e escalasse novelas religiosas para essa janela.

Então, há quatro anos, o canal tem uma faixa de dramaturgia majoritariamente ocupado por novelas baseadas nas sagradas escrituras. “Os Dez Mandamentos” (5,6 pontos), “A Terra Prometida” (5,8 pontos), “Apocalipse” (4,6 pontos) e “O Rico E Lázaro” (4,5 pontos) foram exibidas em sequência.

Depois, a rede escalou uma reprise comemorativa de “A Escrava Isaura” (170 capítulos – 4,1 pontos), em virtude dos 150 anos de publicação do romance escrito por Bernardo Guimarães, quebrando a lógica anterior para depois voltar ao curso religioso com a atual reapresentação.

As projeções apontam um cenário de estagnação

Os dados de projeção apontam que a novela estrelada pelo ator Dudu Azevedo vai conseguir, mesmo, superar a antecessora. Caso mantenha seus números, o repeteco vai devolver a rede ao patamar da história exibida há dois anos, curiosamente também protagonizada pelo carioca.

A discussão sobre quem é a plateia desse horário de novelas vai além do que parece. Porque, um clássico da dramaturgia brasileira não conseguiu colocar a emissora em condições de brigar pela liderança. Algo que parecia palpável, pelo menos com base no rendimento dos filmes de “Sessão da Tarde”.

O público dessa faixa demonstra sinais de acomodação, não de desistência. A tese de acomodação se prova verdadeira, porque a performance não difere muito dos demais enredos religiosos, por exemplo. Nem ao céu, tampouco ao inferno.

Medalha de prata garantida

A emissora navega em mares de tranquilidade, com a medalha de prata garantida. Nem mesmo uma guinada do programa concorrente, “Fofocalizando”, parece ser suficiente para fazer o espaço de novelas da rede perder essa boa margem que tem a seu favor.

O horário de folhetins está tão consolidado, que nem mesmo a problemática “Apocalipse” teve uma performance tão diferente em relação aos demais enredos exibidos. De certo, uma história mais popular faria um casamento de público melhor com o “Balanço Geral”, mas esse não parece ser um fator preponderante na escolha do canal.


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