A novela das nove “Quem Ama Cuida” é praticamente um marco zero para a dramaturgia nobre do canal administrado pela família Marinho. O enredo conquista a maior audiência dos últimos anos, espantando fantasmas de fracassos comprovados, como o caso de “Mania de Você” (2024) e a controversa nova versão de “Vale Tudo” (2025), por exemplo.
O atual enredo de Walcyr Carrasco tem 22,31 pontos de média geral na Grande São Paulo. Esse recorte é da marca de cinquenta e nove capítulos exibidos, ou seja, dez semanas no ar.
Elevação direta é mais do que positiva
A obra exibida na principal faixa de entretenimento do país tem um desempenho muito superior ao de sua antecessora, pelo menos é o que mostra a audiência consolidada. Para se ter uma ideia, a taxa de elevação está na casa dos 4,59% em relação aos números de “Três Graças” (2025).
O comparativo se mantém na cor verde, em favor da obra de Carrasco, quando comparada aos folhetins de Manuela Dias (3,48%) e João Emanuel Carneiro (3,53%), enredos que não conseguiram chamar a atenção da plateia habitual da faixa seguinte ao “Jornal Nacional”.
No passado, a realidade era um tanto diferente
Em um passado não tão distante, os números mostram que o consumo da novela das nove era maior. Obras como “Renascer” (2024 – 25,54 pontos) e “Terra E Paixão” (2023 – 25,14 pontos) tinham números notadamente melhores.
A comparação da atual obra de Carrasco com seu trabalho mais recente evidencia uma queda de aproximadamente dois pontos, mas é preciso ressaltar que a forma de consumo de qualquer produto midiático mudou sensivelmente nos últimos anos.
Para se ter uma ideia, a diferença percentual é de 11,25% entre a história de Aline (Bárbara Reis) e o enredo de vingança, cujo vetor principal é a fisioterapeuta Adriana (Letícia Colin).
Queda é natural, ou foi falta de uma boa novela?
Entre os trabalhos do autor, foram exibidas quatro novelas. A falta de Walcyr Carrasco foi fator preponderante para essa diminuição? Ou a qualidade dos outros enredos foi responsável por essa queda acentuada nesses três anos em que o dramaturgo permaneceu afastado do horário nobre?
A forma de consumir dramaturgia, efetivamente, mudou desde o começo da década. Influenciada pela pandemia e por outros fatores, aparentemente externos às produções de entretenimento. Seria possível, então, fazer uma correlação desses fatores?
É impossível afirmar isso, categoricamente. Mas, o que se tem de fato é que a atual novela das nove rompeu uma barreira que as antecessoras imediatas não conseguiram. Com pouco tempo no ar, a produção já chegou aos 25 pontos em pelo menos três ocasiões, algo que não aconteceu com demais produções nos últimos anos, especialmente nesse recorte temporal, ou seja, 59 capítulos exibidos.
As projeções, inclusive, indicam que o desenrolar de “Quem Ama Cuida” pode surpreender e fechar com uma das maiores audiências da década. Ou seja, pode ficar abaixo apenas de “Pantanal” (2022), assinada por Bruno Luperi com base no original produzido pela Manchete.


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