“Vale Tudo” sai de cena sem o impacto desejado

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A atualização feita para a novela das oito “Vale Tudo” sai de cena sem o grande impacto desejado, isso porque o mote final das semanas decisivas foi transformado em um xiste com o público. O momento de maior tensão do folhetim era a morte de Odete Roitman (Beatriz Segall / Débora Bloch), mas essa história virou uma enorme piada nas mãos de quem atualizou o folhetim. 

O movimento de transformar Marco Aurélio (Reginaldo Faria / Alexandre Nero) em assassino, até faria sentido. Mas, quem adaptou o folhetim resolveu que a maior vilã da dramaturgia nacional não morreu. A personagem virou um ser caricato, sem o peso dramático do texto criado por Gilberto Braga.

A responsabilidade dessa descredibilização passa longe do elenco, que conseguiu fazer muito com a razoabilidade feita no desenvolvimento da história. Bloch, Araújo, Oliveira, Góes e tantos outros talentos foram desperdiçados nessa releitura.

Ao enredo, faltou o peso da crítica social, feita de forma magistral na versão original. Se a ideia era estragar uma das mais relevantes obras da dramaturgia, Globo, seria muito mais digno uma novela inédita e sem o peso da trama que ajudou a revolucionar o gênero, no final dos anos 1980.

O maior problema foi o apagamento constante da protagonista Raquel, que nas semanas finais perdeu ainda mais relevância pela maneira como a história se desenvolvia. A grande força de sua história ficou em terceiro, quinto plano. Em seu lugar, uma vilã supostamente morta tomou o protagonismo. Seria natural que nas semanas finais Roitmann tornasse o centro nervoso do enredo, mas não da forma como aconteceu na releitura.

Agora, o canal recorre a Aguinaldo Silva com uma novela original para ocupar sua principal janela de dramaturgia, exibida por seis dias da semana logo depois do “Jornal Nacional”.


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