A maior vilã de todos os tempos perdeu sentido na releitura da novela “Vale Tudo”, escrita por Manuela Dias. Em uma pesquisa feita pelo Grupo Folha, aproximadamente metade do público não quer a morte de Odete Roitmann na novela das nove.
O momento de virada é um dos ganchos mais esperados da dramaturgia brasileira, inclusive na versão original calhou de seu assassinato ir ao ar na noite de Natal em 1988 e ainda assim as pessoas permaneciam imóveis, em casa, para descobrir quem seria a pessoa responsável pelo crime.
A releitura não honrou o original. Dias mudou completamente o sentido da personagem, agora entregue para Débora Bloch. Foram criadas histórias diferentes, que não eram pertencentes ao original, como o caso de um filho novo e o casamento da loira má com o michê César.
O processo de humanização de uma das criaturas mais pérfidas da dramaturgia nacional só poderia dar esse resultado. No levantamento, 47% dos entrevistados se diz contra a morte da personagem. Dias não manteve a linha de Gilberto Braga em praticamente nada na novela, por isso o impacto dessa vilã foi menor.
Aqui não entra em questão o talento da atriz, mas sim a capacidade de quem desenvolve a novela. Bloch fez em duas oportunidades personagens más, que entregavam muito mais do que a nova versão da matriarca dos Roitmann. Em “Cordel Encantado” (2011), “Mar do Sertão” (2022) e “No Rancho Fundo” (2024), houve exemplos disso.
Até mesmo com personagem cômica Maria Dorotéia Sá Marques Dantas, a Madô, ela foi o diabo encarnado para as demais pessoas na novela “A Lua Me Disse” (2005), desenvolvida por Miguel Falabella.
Pelo gosto do público, se é que quem respondeu a pesquisa assiste a novela, a “vilã das vilãs” merece ficar pobre, boquirrota, do que morrer como na versão original.
Que coisa, não é mesmo, Neiva?



