“Máscaras” causou rombo na dramaturgia

A novela das dez “Máscaras” chegou com a missão de repetir o sucesso de sua antecessora, com uma linguagem ousada e incomum na televisão aberta. O primeiro ciclo da história, assinada por Lauro César Muniz até se manteve perto do que era esperado pela emissora e marcou 9,2 pontos na semana de estreia.

O pesadelo começou depois, quando os números caíram e nada dava jeito de conter a fuga. A trama mudou de horário, invertida com “A Fazenda”, como uma maneira de fazer contenção de danos ao canal paulista.

Na verdade, faltou planejamento. A palavra mais cara da televisão brasileira faz falta na Barra Funda até hoje, mas nesse caso a rede fez muitos investimentos e não esperou para que eles retornassem no tempo correto.

O foco não era mais a novela, por isso o autor mandou uma série de recados, principalmente no última cena, com Paloma Duarte quebrando a quarta parede e mostrando, ao público, os bastidores da cena final da história.

Sem perspectivas, a rede murchou seus investimentos em dramaturgia e deslocou novelas solares para a faixa das dez, algo que não deu certo.

Em três anos, a grande concorrente da Globo no quesito produção se tornou uma emissora normal, sem grandes atrativos. Nem mesmo o investimento final, “Vitória” (2014) deu certo, porque o canal jogou o enredo no fogo e deixou a novela com potencial enfrentar o principal produto da líder.

Essa novela, no horário certo, renderia pelo menos dez pontos. Hoje essa performance é o sonho dourado do canal, uma vez que não há um produto que consiga isso. Nem mesmo Gottino, que faz milagre do “Balanço Geral” e DOBRA os números que recebe, chega a essa performance nesse 2022 complicado.

O que falta para a rede, desde os tempos de bonança é planejamento. O esgotamento do universo proposto por “Caminhos do Coração” (2007) é um exemplo disso. Mas, em dez anos, o departamento de dramaturgia só andou para trás.