A reprise da novela “A Escrava Isaura” seis anos depois de sua última passagem pode ensinar algumas coisas para quem toma as decisões na RECORD.
O enredo baseado na obra de Bernardo Guimarães tem reações tímidas em suas semanas iniciais, principalmente porque foi colocada no ar em um momento de dobradinha na líder de audiência. Mas, o potencial da personagem vivida por Bianca Rinaldi é inegável.
Entretanto, marca o retorno de novelas “mundanas” a esse horário, depois de quase três anos apenas com o acervo bíblico da rede, reapresentado por ordem de Cristiane Cardoso, que é a pessoa responsável pela dramaturgia do canal.
A história produzida há duas décadas consegue registrar números que suas antecessoras demoraram a conseguir. Em que pese uma derrota para o “Fofocalizando”, o enredo está em uma faixa que recebe novelas desde 2015.
Em sua mais recente passagem pela grade, até mesmo a própria Isaura dos Anjos se beneficiou desta cultura. Em 2019, recebeu o horário em alta do repeteco de “Bela A Feia” (2009). Para construir de novo um público, a emissora precisa se desprender da dramaturgia religiosa e colocar ali seus grandes clássicos.
Uma nova dobradinha entre “Balanço Geral” e “Amor E Intrigas” (2007), por exemplo, seria das mais interessantes. Ou até mesmo dobrar a faixa de novelas e assim proporcionar um maior respiro ao público, poupando a marca de jornalismo popular. De qualquer maneira, a substituta de Isaura vai precisar ser bem escolhida, senão, todo esse trabalho será atirado pela janela.

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