Você já pediu desculpas ao futebol brasileiro?

Acho bastante oportuno publicar este texto após os resultados dos jogos de Botafogo e Palmeiras. Dois dos times que representam o Brasil no Mundial de Clubes da FIFA não saíram de campo com os resultados esperados. A equipe carioca entrou com a expectativa de vitória, mas acabou perdendo a partida contra o Atlético de Madrid, que havia sofrido uma goleada no seu jogo de estreia contra o Paris Saint-Germain. Da mesma forma, o “verdão” entrou em campo com grandes chances de vencer o Inter Miami de Lionel Messi, mas o placar terminou empatado.

Este pode ser o término de uma ilusão que começou na semana passada, com as vitórias hercúleas dos times brasileiros diante dos milionários clubes europeus do PSG e do Chelsea. De uma hora para a outra, aquele torcedor de carteirinha que viu seu time vencer adversários difíceis começaria a colocar em xeque a conquista do título do torneio e passaria a refletir o seguinte: “Será que nosso futebol é ruim?”. Como resposta a essa questão, é necessário nos situarmos no início de tudo, quando os confrontos foram anunciados. Os enormes valores investidos pelos grandes clubes que disputam a Liga dos Campeões tornavam qualquer torcedor no Brasil cético em relação à possibilidade de vitória diante de um gigante europeu. Mas desde o início do Mundial, todos os representantes brasileiros têm tido desempenhos formidáveis.

Além de vencer de forma heroica o atual vencedor da Liga dos Campeões, o Botafogo se classificou para a próxima fase no chamado “grupo da morte”. O Palmeiras também conseguiu a sua classificação, se garantindo no primeiro lugar no seu grupo após “arrancar” um empate contra a equipe de Messi e companhia. E em rodadas anteriores, o Flamengo venceu o milionário Chelsea de virada, confirmando a classificação em primeiro lugar para as oitavas de final, enquanto o Fluminense dominou o Borussia Dortmund em seu jogo de estreia. De fato, sabemos jogar, mas não quer dizer que venceremos todos os jogos. Competir não significa acertar todas as vezes, nem ter resposta para todos os problemas, mas entender os próprios defeitos e saber lidar com as derrotas.

O atleta sabe disso, mas o torcedor não. Enquanto um está focado na próxima partida, o outro está com os pés fincados no presente e esquece de todo o progresso que foi feito. E o que vemos hoje é o resultado de anos de melhoria da nossa liga nacional, com a profissionalização administrativa, a injeção bilionária na contratação de atletas e a revitalização de espaços de treinamento.

No próximo jogo, a fé e a vibração retornam ao estágio de euforia para os torcedores. Mas independente do placar, já conquistamos grandes feitos que não podem ser ignorados. A nossa presença no torneio já demonstra esse crescimento: são os quatro últimos campeões da Libertadores. Nenhum outro país conseguiu isso. É puro mérito!

*Este texto não reflete o posicionamento do NTVB


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